Goiânia: Promotora aponta irregularidades na Comurg e defende anulação de acordos coletivos

Visita ao órgão revela super salários, frota sucateada e descontrole financeiro

A promotora de Justiça Leila Maria de Oliveira realizou uma vistoria na Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg) nesta quinta-feira (16), pela primeira vez em 15 anos. Durante a inspeção, ela identificou uma série de irregularidades e defendeu a anulação de acordos coletivos de trabalho firmados em 2016 e 2018, que, segundo ela, foram celebrados sem a participação da Prefeitura de Goiânia e permitiram a criação de super salários.

De acordo com a promotora, os acordos coletivos incluíam cláusulas consideradas inconstitucionais, como a proibição de demissões mesmo em casos de terceirização de serviços. “Esses acordos permitiram o acúmulo de gratificações de forma descontrolada. É possível que um servidor com salário-base de R$ 1.500 receba até R$ 9.000 por mês devido a essas cláusulas”, explicou Leila.

Frota sucateada e desorganização interna

Outro ponto destacado foi o sucateamento da frota de veículos. Dos 49 caminhões registrados na Comurg, apenas 19 foram localizados e somente 4 estão em operação. “Como é possível gastar mais de R$ 5 milhões por mês em combustível se apenas quatro caminhões estão funcionando?”, questionou a promotora.

A falta de controle e planejamento na compra de materiais de construção também chamou a atenção. “Os materiais são adquiridos sem qualquer estudo prévio sobre quantidade, qualidade ou destino. Isso é um retrato claro da desorganização na gestão da companhia”, afirmou.

Recomendações e impacto financeiro

O Ministério Público de Goiás (MPGO) recomendou a realização de uma auditoria externa na Comurg e a anulação das cláusulas do atual acordo coletivo (2024/2026). O documento aponta um descontrole financeiro que resultou em uma folha de pagamento de mais de R$ 300 milhões em 2024, agravada por irregularidades como pagamento de gratificações indevidas e desvio de funções.

A Comurg, que não realiza concursos públicos desde 2009, enfrenta ainda um déficit de 800 servidores e uma dívida trabalhista de R$ 42 milhões. O total das dívidas da companhia chega a R$ 1,5 bilhão, incluindo débitos com INSS, FGTS e o Instituto Municipal de Assistência à Saúde (Imas).

Prefeitura promete mudanças

O prefeito Sandro Mabel afirmou que cumprirá as recomendações do MPGO. Já o presidente da Comurg, coronel Cleber Aparecido Santos, destacou o compromisso com a recuperação da companhia. “Estamos trabalhando para sanear a Comurg e estabelecer uma gestão eficiente que respeite os recursos públicos”, declarou.

A promotora ressaltou que a parceria entre o Ministério Público e a Comurg é essencial para garantir a transparência e a retomada da qualidade dos serviços prestados à população.


Por: Lucas Reis
Foto: Reprodução/CBN GOIÂNIA

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