Petista enfrenta rejeição recorde e tenta recuperar apoio com mudanças no primeiro escalão e novas medidas econômicas
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva atravessa um dos momentos mais delicados desde o início de seu terceiro mandato. Segundo levantamento do Instituto DataFolha divulgado em 14 de fevereiro, a aprovação do petista caiu para 24%, enquanto a reprovação chegou a 41%. O cenário é ainda pior do que em 2005, quando enfrentou o escândalo do mensalão e registrou 28% de aprovação.
Diante da crescente insatisfação do eleitorado, Lula pressiona sua equipe ministerial para aumentar a “agressividade” na elaboração de políticas públicas e fortalecer a imagem do governo para a disputa eleitoral de 2026. Analistas apontam que o presidente se distanciou de setores-chave de sua base eleitoral, como a população de baixa renda, mulheres e nordestinos, ao mesmo tempo em que perdeu apoio da classe média e trabalhadores informais.
A pesquisa também revelou que a aprovação de Lula entre brasileiros que ganham até dois salários mínimos caiu de 44% para 29%, refletindo o impacto das crises recentes e a dificuldade do governo em controlar narrativas negativas nas redes sociais. Um dos episódios mais danosos foi a polêmica sobre a suposta taxação do Pix, que gerou desconfiança e contribuiu para a deterioração da popularidade presidencial.
Outro levantamento, realizado pela Genial/Quaest e divulgado em 26 de fevereiro, apontou que a reprovação ao governo Lula supera a aprovação nos oito estados avaliados, incluindo regiões onde o petista venceu em 2022, como Bahia (51% de reprovação) e Pernambuco (50%). Nos maiores colégios eleitorais, como São Paulo (69%), Minas Gerais (63%) e Rio de Janeiro (64%), a rejeição é ainda mais expressiva.
Para especialistas, a queda na popularidade reflete o aumento dos preços dos alimentos e um sentimento generalizado de frustração em relação às expectativas criadas em 2022. “O governo não conseguiu implementar medidas que justificassem a esperança depositada nele. Na tentativa de agradar diferentes setores, acaba não satisfazendo plenamente nenhum”, avalia o cientista político Jorge Mizael.
Mudanças ministeriais e estratégia política
Na tentativa de reverter o quadro, Lula deu início a uma reforma ministerial. Uma das primeiras medidas foi a demissão da ministra da Saúde, Nísia Trindade, substituída por Alexandre Padilha, então chefe da Secretaria de Relações Institucionais (SRI). Em seguida, o presidente indicou a deputada Gleisi Hoffmann para assumir a vaga deixada por Padilha, contrariando lideranças do Centrão, que esperavam emplacar um nome alinhado ao grupo.
A escolha de Gleisi pode reforçar o vínculo do governo com a base ideológica do PT, mas também pode dificultar a articulação com o Congresso. “Se o objetivo era melhorar a governabilidade, a escolha de um nome com histórico de confronto com o Centrão pode ser um tiro no pé”, alerta o cientista político Leonardo Paz Neves.
Entre as medidas que podem ajudar na recuperação da imagem do governo estão o pagamento do programa social Pé-de-Meia e a ampliação do acesso gratuito a medicamentos pela Farmácia Popular. Contudo, especialistas apontam que apenas novas políticas econômicas e uma comunicação mais eficaz serão capazes de reverter a tendência de queda na popularidade do presidente.
Nos próximos meses, a prioridade do governo será viabilizar avanços na agenda econômica e consolidar apoio no Congresso. Resta saber se as mudanças serão suficientes para conter o desgaste político e reconquistar o eleitorado.
Por: Genivaldo Coimbra
Foto: Ricardo Stuckert