Novo comandante destaca confiança em Neymar, comenta evolução de Vini Jr. e celebra início da trajetória no Brasil
Carlo Ancelotti foi oficialmente apresentado nesta segunda-feira (26) como o novo técnico da Seleção Brasileira. Na ocasião, divulgou sua primeira lista de convocados para os confrontos diante do Equador e Paraguai, nos dias 5 e 10 de junho, pelas Eliminatórias Sul-Americanas da Copa do Mundo.
Dentre as principais surpresas, a ausência de Neymar chamou atenção, assim como a presença de Hugo Souza e o retorno do experiente Casemiro. Após o anúncio, Ancelotti respondeu às perguntas da imprensa e compartilhou suas expectativas sobre liderar a equipe canarinho.
Sobre Neymar:
— “Nesta convocação, eu tentei selecionar jogadores que estão bem. Neymar teve uma lesão há pouco tempo. Todos sabem que Neymar é um jogador muito importante, sempre foi e sempre será. Logicamente, infelizmente, atualmente temos muitos jogadores que sofrem lesões e que não podem estar na seleção, como Neymar, que passou por uma lesão. O que eu quero dizer é que o Brasil tem muitos jogadores talentosos e logicamente, no caso específico de Neymar, contamos com ele. É a seleção nacional. O Brasil conta com ele. Ele voltou ao Brasil para jogar para se preparar bem para o Mundial. Eu falei com ele nesta manhã para explicar a ele isso e ele está totalmente de acordo. Nós assim continuamos.”
Sobre Vinícius Jr.:
— “É difícil falar, porque o Vini não chegou à sua melhor versão. Se isso não aconteceu, vai acontecer, porque é um jogador extraordinário, trabalhador, lutador. A verdade é que o jogador brasileiro tem muito carinho pela sua seleção, e pode ser que isso afete um pouco a naturalidade do pensamento, no sentido de que, às vezes, se sente muita pressão para se sair bem. Isso pode ser que não permita se sair bem. Estou totalmente convencido de que o Vini, com a sua seleção, vai mostrar a sua melhor versão.”
Sobre comandar o Brasil:
— “Primeiras impressões são muito bonitas. É uma honra, um grande orgulho comandar a seleção, que é a melhor do mundo. Eu tenho um grande trabalho para fazer com que Brasil volte a ser campeão, vamos juntos. Precisamos de todos vocês. Eu fui recebido aqui com muito carinho. É a minha primeira vez, e estou muito contente. Eu estou muito animado e acho que vamos fazer um trabalho. Agradeço à CBF por me trazer aqui e ao Real Madrid por me dar essa oportunidade. O desafio é muito grande. O recebimento é muito especial. Eu vou tentar realizar um trabalho com o nível máximo.”
Sobre Casemiro:
— “Na minha opinião, ele (Casemiro) é um grande jogador. Tive a sorte de estar com ele, eu acho que a seleção precisa desse tipo de jogador, que tem carisma, personalidade, talento. Como eu disse, o Brasil sempre teve muito talento. No futebol moderno, é preciso acrescentar atitude, compromisso, sacrifício, e isso o Casemiro tem. E muitos dos que foram convocados têm isso. É um aspecto fundamental, principalmente para se preparar para o Mundial.”
Sobre o uso de atletas brasileiros:
— “Os jogadores se conhecem, todos podem assistir a todos os jogos, nós, logicamente, quando se está no clube. Nós poderíamos jogar com o Botafogo no Mundial. São times acompanhados. Tem pessoas que trabalham aqui e olham. O que eu farei durante esse período é ficar mais tempo no Brasil para conhecer a estrutura, os times, jogadores e treinadores.”
Sobre o estilo de jogo:
— “Propositivo ou reativo? É interessante. Eu acho que, no futebol, não pode se fazer uma única leitura. Tem que ser futebol propositivo em alguns jogos e reativos em outros. Eu não gosto de time que eu treine e tenho uma identidade, significa que você só é capaz de fazer uma coisa. Se quer ter sucesso, precisa fazer muitas coisas bem. Propositivo, reativo, pressionar… Existem muitas coisas para ter sucesso. Por isso, quando me dizem, o seu time não tem uma identidade clara. Eu não quero isso.”
Sobre sua relação com o Brasil:
— “Minha conexão com o Brasil começou muito cedo, nos anos 1980, com Cerezo, Falcão e depois, com os anos, eu treinei 34 jogadores brasileiros. Mencionar todos eles, eu posso fazer, porque eu tenho boa memória, mas eu acho que é uma falta de respeito com o possível esquecimento. Mas os melhores, Ronaldo, Rivaldo, Kaká, Marcelo, Douglas Costa, Cafu, Dida, Emerson. Eu não posso esquecer Endrick, Rodrigo, Militão. Essa conexão começou muito cedo na minha carreira. Pela primeira vez eu venho ao Rio. É algo difícil, porque eu estive em todas as cidades do mundo, faltava o Rio e finalmente eu cheguei ao Rio. Eu quero aproveitar desta cidade.”
A primeira convocação inclui sete atletas que atuam em clubes brasileiros. Neymar ficou de fora.
Convocados:
Goleiros: Alisson, Bento e Hugo Souza
Laterais: Danilo, Vanderson, Alex Sandro, Carlos Augusto e Wesley
Zagueiros: Alexsandro, Beraldo, Léo Ortiz e Marquinhos
Meio-campistas: Andreas Pereira, Andrey Santos, Bruno Guimarães, Casemiro, Ederson e Gerson
Atacantes: Antony, Estevão, Gabriel Martinelli, Matheus Cunha, Raphinha, Richarlison e Vinícius Júnior
Por: Bruno José
Foto: Reprodução/CBF TV