Tradição centenária emociona romeiros e é reconhecida como patrimônio cultural imaterial de Goiás
Em uma manhã marcada pela fé e pela tradição, Trindade recebeu nesta quinta-feira (3) o desfile de 432 carros de bois durante a Romaria do Divino Pai Eterno. Vindos de várias cidades goianas e até de outros estados, os romeiros transformaram as ruas da Capital da Fé em um verdadeiro corredor de devoção.
O momento é um dos mais aguardados da romaria, e neste ano teve ainda mais significado: a Romaria dos Carros de Bois é reconhecida pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como patrimônio cultural imaterial de Goiás. Cada comitiva traz consigo histórias de sacrifício, fé e resistência popular.
O prefeito Marden destacou a importância simbólica do desfile. “Cada carro de boi carrega mais que pessoas — carrega uma herança. Esse evento mostra o quanto nossa cidade é viva espiritualmente e culturalmente”, afirmou, emocionado com a recepção calorosa da população.
A cerimônia começou com o ato solene de transferência simbólica da capital de Goiás para Trindade, tradição que reforça o papel central da cidade durante o período da romaria. Milhares de moradores e visitantes acompanharam o trajeto das comitivas, muitos com lágrimas nos olhos.
Presente ao evento, o deputado estadual Cristiano Galindo também celebrou o momento como uma expressão pura da identidade goiana. “A Romaria dos Carros de Bois é a alma do nosso povo. É emocionante ver gerações inteiras caminhando juntas por uma causa que é maior que todos nós: a fé”, disse o parlamentar.
Para ele, o reconhecimento oficial do Iphan exige compromisso com quem mantém viva essa tradição. “Nosso dever é garantir estrutura, segurança e acolhimento para cada romeiro. Eles merecem respeito e gratidão”, completou Galindo.
A Romaria do Divino Pai Eterno segue até o próximo domingo (6), reunindo milhares de fiéis em missas, celebrações e caminhadas de devoção. E os carros de bois, mais uma vez, deram o tom de um povo que segue firme em sua fé, guiado pelo barulho das rodas de madeira e a força da esperança.
Por: Lucas Reis
Foto: Secom
