Em Goiânia, 70 mortes já foram confirmadas. Empresa Nutratta está sob fiscalização do Ministério da Agricultura e não respondeu à imprensa
Mais de 230 cavalos morreram em diferentes estados brasileiros sob suspeita de terem consumido ração contaminada. O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) investiga a responsabilidade da empresa Nutratta Nutrição Animal Ltda, fabricante dos produtos utilizados nas propriedades onde os óbitos ocorreram. Somente em Goiânia, o órgão confirmou 70 mortes de equinos.
Segundo o Mapa, a primeira denúncia foi registrada em 26 de maio e, desde então, as equipes têm intensificado ações de fiscalização. As mortes foram relatadas em Goiás, São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Alagoas e Rio de Janeiro. Em todos os casos investigados, os animais haviam consumido rações produzidas pela Nutratta. Já os cavalos que não se alimentaram dos produtos permaneceram saudáveis.
A empresa foi procurada pela reportagem, mas não respondeu aos contatos. Em seu site, a Nutratta publicou uma nota dirigida à comunidade equestre, na qual afirma estar colaborando com as autoridades e reforça seu compromisso com a responsabilidade técnica, negando omissão durante o processo de apuração.
Substância tóxica encontrada
Durante a investigação, o Mapa identificou alcaloides pirrolizidínicos em amostras da ração — substâncias tóxicas consideradas incompatíveis com a segurança alimentar de qualquer espécie animal. Com isso, a pasta determinou a suspensão da produção e comercialização de rações para equídeos e, posteriormente, estendeu a proibição a produtos destinados a outras espécies.
Apesar disso, uma decisão judicial autorizou recentemente a retomada parcial da fabricação de rações não destinadas a cavalos. O Mapa recorreu da medida, apresentando novas evidências técnicas para manter a suspensão. O ministério também aguarda que a empresa comprove o recolhimento dos lotes potencialmente contaminados, o que ainda não ocorreu.
Casos espalhados pelo país
Além das 70 mortes em Goiânia, foram registradas:
40 mortes no sudoeste da Bahia;
34 em Jarinu (SP);
10 em Santo Antônio do Pinhal (SP);
18 em Uberlândia (MG);
8 em Guaranésia (MG);
8 em Jequeri (MG);
7 em Mariana (MG).
A Nutratta afirma que as linhas de ração para bovinos e equinos são desenvolvidas separadamente e que não há registro de contaminação entre os produtos bovinos. A empresa diz estar comprometida com a transparência e reforça que todas as exigências feitas pelo Mapa estão sendo atendidas.
O Ministério da Agricultura segue orientando tutores, veterinários e criadores a formalizarem denúncias exclusivamente por meio da Ouvidoria Oficial, para garantir a investigação adequada dos casos.
Por: Genivaldo Coimbra
Foto: Reprodução/TV Anhanguera