Empresários estão apreensivos com possível aumento nos custos de insumos e risco de desabastecimento causado por medidas protecionistas norte-americanas
Empresários da indústria farmacêutica em Goiás estão preocupados com os possíveis efeitos das tarifas que os Estados Unidos podem impor sobre medicamentos e insumos importados. Embora a medida ainda não tenha sido oficialmente adotada, a ameaça tem gerado insegurança em empresas que dependem fortemente de produtos vindos do exterior, principalmente da Ásia e América do Norte.
A proposta norte-americana prevê sobretaxas de até 200% sobre produtos farmacêuticos, o que pode elevar os custos de produção de genéricos e medicamentos de uso comum. Como muitos laboratórios goianos operam com margens apertadas, especialmente na fabricação de genéricos, um reajuste tão drástico pode comprometer a competitividade e até provocar escassez.
Outro temor é o impacto direto no abastecimento de hospitais e farmácias, já que parte significativa dos insumos utilizados por indústrias locais vem de cadeias internacionais. A elevação dos preços pode refletir também no consumidor final, afetando o acesso a medicamentos essenciais.
Atualmente, Goiás abriga diversas empresas do setor, com forte atuação na produção e distribuição de medicamentos em todo o Brasil. Para o setor, o momento é de cautela e planejamento: alternativas de fornecedores, nacionalização de insumos e articulação com entidades do setor estão entre as estratégias em estudo.
Enquanto o governo brasileiro acompanha a situação, empresários locais defendem que é preciso agir preventivamente. Caso as tarifas sejam mesmo implementadas, especialistas afirmam que o Brasil poderá reagir com medidas semelhantes, o que pode ampliar ainda mais as tensões comerciais entre os dois países.
Por: Genivaldo Coimbra
Foto: Arquivo Agência Brasil