São Paulo, Rio, Minas, Espírito Santo e RS são os mais expostos à medida, que pode causar queda nas vendas, demissões e encarecimento de importações
O anúncio do presidente dos EUA, Donald Trump, de aplicar uma tarifa de 50% sobre as exportações brasileiras acendeu um alerta nos principais Estados exportadores do país. São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo e Rio Grande do Sul respondem por mais de 70% das vendas brasileiras ao mercado americano e estão entre os mais vulneráveis ao impacto econômico da medida.
São Paulo lidera tanto as exportações quanto as importações com os EUA, com destaque para produtos como sucos de frutas, medicamentos, aeronaves e equipamentos industriais. Com a nova tarifa, esses itens devem perder competitividade frente a outros mercados. Empresas podem ser forçadas a reduzir a produção ou buscar novos compradores, o que pode gerar demissões e instabilidade nas cadeias produtivas locais.
A possível retaliação brasileira, com base na Lei de Reciprocidade Econômica, também poderá encarecer produtos americanos, afetando a população e a indústria nacional. Itens como inseticidas, máquinas, medicamentos e derivados de petróleo estão entre os mais importados e podem sofrer aumento de preços, mesmo sem a adoção imediata de tarifas, já que o dólar tende a subir diante da instabilidade comercial.
A tensão entre os governos de Trump e Lula cresceu após o presidente americano justificar as tarifas com base em questões políticas, como o julgamento de Bolsonaro no Brasil e restrições a plataformas americanas. A carta enviada por Trump também ameaça novas sanções caso o Brasil reaja, o que aumenta o risco de uma escalada na guerra comercial.
Apesar da tensão, o comércio entre os dois países cresceu no primeiro semestre de 2025. As exportações brasileiras para os EUA aumentaram 4,4%, impulsionadas por produtos da indústria e do agronegócio, como carne bovina, café e suco de frutas. No entanto, especialistas alertam que o cenário pode se inverter rapidamente se as tarifas forem mantidas ou ampliadas.
Por: Genivaldo Coimbra
Foto: Agro notícias