Reunião no Alvorada detalha estratégias de retaliação; governo publicará até terça decreto baseado na Lei da Reciprocidade
O governo federal concluiu, na noite de domingo (13), uma reunião de emergência no Palácio da Alvorada para finalizar os termos do decreto que regulamentará a Lei da Reciprocidade — aprovada em abril — e que permite ao Brasil reagir a sanções econômicas de outros países.
A convocação ocorreu após o anúncio do presidente norte-americano Donald Trump, que oficializou uma tarifa de 50% sobre importações brasileiras a partir de 1º de agosto. A medida gerou resposta imediata do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e levou o Planalto a preparar um pacote de retaliações.
O encontro contou com a presença do vice-presidente Geraldo Alckmin; dos ministros Gleisi Hoffmann, Carlos Fávaro e Jaques Wagner; da secretária-geral do Itamaraty, Maria Laura da Rocha; além de outros membros estratégicos da Esplanada.
Segundo Alckmin, o decreto será publicado até a próxima terça-feira (16) e detalhará os setores nacionais que podem ser protegidos com contramedidas. “A prioridade é tentar uma saída diplomática, mas o Brasil está pronto para agir com firmeza se necessário”, afirmou o vice-presidente.
Um comitê de crise foi instituído para dialogar com os setores produtivos mais impactados, como indústria, agropecuária e tecnologia. A retaliação poderá envolver tarifas equivalentes, restrições regulatórias e alterações em licenciamento de importações.
O presidente do STF, Luís Roberto Barroso, também se posicionou. Em nota oficial, declarou:
“Em 9 de julho último, foram anunciadas sanções que seriam aplicadas ao Brasil, por um tradicional parceiro comercial, fundadas em compreensão imprecisa dos fatos ocorridos no país nos últimos anos.”
E completou:
“As diferentes visões de mundo nas sociedades abertas e democráticas fazem parte da vida, e é bom que seja assim. Mas não dão a ninguém o direito de torcer a verdade ou negar fatos concretos que todos viram e viveram.”
O Planalto reforçou que o país manterá sua soberania e autonomia política. “Não será tutelado por nenhuma potência estrangeira”, afirmou Lula em recente discurso.
Por: Genivaldo Coimbra
Foto: Ricardo Stuckert/PR