Impacto na coluna causado por mergulhos imprudentes pode levar à perda de movimentos; maioria das vítimas é jovem e estava sob efeito de álcool
A diversão nas férias pode acabar em tragédia. O Hospital de Urgências de Goiás (Hugo) está em alerta devido ao aumento de casos de lesões na coluna cervical provocadas por mergulhos em locais rasos ou de profundidade desconhecida, como rios e cachoeiras.
De acordo com a médica Luna Mangueira, ortopedista da unidade, esses acidentes, comuns no verão, são frequentemente relacionados ao uso de bebidas alcoólicas e à imprudência. “Em muitos casos, a pessoa perde os movimentos dos braços e das pernas imediatamente após o trauma”, adverte.
A equipe do Hugo, referência em traumas medulares, atua com profissionais especializados que fazem a triagem inicial com base no protocolo ATLS. Casos mais graves exigem uso de halo craniano para aliviar a compressão na medula e evitar danos irreversíveis.
Além da cirurgia, os pacientes passam por fisioterapia intensiva e acompanhamento em reabilitação, o que pode gerar recuperação significativa. “Já reencontrei pacientes que operei andando novamente após o processo de reabilitação. Mesmo em casos graves, com acompanhamento adequado, é possível alcançar resultados que surpreendem”, afirma a médica.
O tempo de resposta após o acidente também é um fator determinante. “Alguns pacientes chegam horas depois, já com complicações que reduzem as chances de recuperação. O ideal é que a descompressão da medula ocorra nas primeiras 48 horas”, explica Luna.
Para ela, é essencial ampliar o debate e conscientizar principalmente o público jovem. “No ano passado, chegamos a atender quatro casos em uma única semana. A maioria das vítimas são homens jovens, geralmente sob efeito de bebidas alcoólicas. Ainda há falta de consciência sobre o risco real de um mergulho imprudente. É preciso falar sobre isso com mais seriedade”, conclui.
Por: Lucas Reis
Foto: Hugo e Marco Monteiro