Em coletiva na Casa Branca, presidente dos EUA critica decisão do Supremo, diz que Brasil persegue Bolsonaro e afirma que tarifas são resposta ao “tratamento vergonhoso” contra o ex-presidente
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a criticar duramente o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Durante coletiva realizada nesta quarta-feira (16), no Salão Oval da Casa Branca, Trump classificou a atuação da Justiça brasileira como “vergonhosa” e relacionou diretamente esse cenário à decisão de impor uma tarifa de 50% sobre todos os produtos exportados do Brasil para os EUA.
“Eu o conheço. Ele lutou muito pelo povo brasileiro. Acredito que ele seja um homem honesto e o que estão fazendo com ele é terrível”, afirmou Trump, referindo-se a Bolsonaro. “O que o Brasil está fazendo com seu ex-presidente é vergonhoso.”
As declarações ocorreram logo após uma reunião com o príncipe herdeiro e primeiro-ministro do Bahrein, Salman bin Hamad bin Isa Al Khalifa. Trump foi questionado sobre os impactos da nova tarifa no comércio internacional e respondeu que a medida começará a gerar receita para os EUA já em 1º de agosto.
Críticas repercutem no Brasil
As declarações do republicano acirraram ainda mais o clima diplomático entre os dois países. Na véspera, o governo brasileiro já havia enviado uma carta oficial ao Departamento de Comércio dos EUA, expressando “indignação” com o chamado “tarifaço”. O documento foi assinado pelo vice-presidente e ministro da Indústria, Geraldo Alckmin, e pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.
A carta classifica a decisão como uma ameaça direta à parceria econômica entre Brasil e EUA, que há dois séculos compartilham laços comerciais considerados estratégicos. Segundo o texto, a tarifa de 50% terá um “impacto muito negativo” em setores importantes da economia dos dois países.
“O comércio sempre foi um dos pilares fundamentais da relação entre as duas maiores economias das Américas. A decisão unilateral ameaça esse equilíbrio”, aponta o documento.
Proposta ignorada
O governo brasileiro também revelou que havia enviado uma minuta confidencial de proposta aos EUA em maio, com sugestões para aprimorar o comércio bilateral. Segundo o Itamaraty, Washington jamais respondeu ao documento, ignorando os apelos por uma solução diplomática.
“O Brasil permanece pronto para dialogar e negociar uma solução mutuamente aceitável”, diz o comunicado.
Lula: “Brasil vai se defender”
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também se manifestou nesta quarta-feira, afirmando que o país está preparado para adotar contramedidas baseadas na Lei de Reciprocidade Econômica. A legislação permite ao governo impor sanções equivalentes às tarifas de parceiros comerciais.
“O Brasil vai tomar todas as medidas necessárias para proteger seu povo e suas empresas”, declarou Lula. Enquanto isso, o vice-presidente Alckmin afirmou que seguirá dialogando com representantes do comércio exterior até a entrada em vigor da nova alíquota.
A pesquisa Quaest divulgada nesta semana mostra que 72% dos brasileiros discordam da justificativa de Trump para impor tarifas ao Brasil com base na situação judicial de Bolsonaro.
Por: Lucas Reis
Foto: Reprodução/Via Terra