Decisão de investigar “práticas injustas” acirra tensão com Lula; governo americano acusa Brasil de prejudicar empresas de tecnologia e proteger desmatadores
Mais uma vez, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, usa o comércio como arma política. O anúncio de uma nova investigação contra o Brasil, revelado nesta terça-feira (15), coloca o governo Lula sob forte pressão e reacende a tensão diplomática entre os dois países.
A medida é, segundo analistas, mais um movimento da cartilha eleitoral de Trump: mirar o Brasil como “vilão ambiental” e protetor de empresas locais, para ganhar apoio entre agricultores e conservadores americanos.
O comunicado do Escritório do Representante Comercial dos EUA acusa o Brasil de prejudicar empresas americanas — incluindo gigantes da tecnologia — e de não aplicar suas próprias leis contra o desmatamento ilegal. Também reclama das tarifas sobre o etanol importado dos EUA, que deixaram de ser isentas após decisão do governo Lula.
> “Trata-se de uma retaliação política disfarçada de investigação”, afirma um diplomata brasileiro sob anonimato. “O Brasil não pode ser tratado como pária porque decide regular sua economia de forma soberana.”
A resposta do governo brasileiro foi dura, mas até agora sem efeito prático. O vice-presidente Geraldo Alckmin revelou que tentou dialogar com Trump, sem sucesso. O Itamaraty afirmou que “o Brasil lamenta o tom hostil adotado pelos Estados Unidos” e que buscará apoio de organismos multilaterais.
Nos bastidores, setores do agronegócio e da indústria exportadora temem que essa escalada acabe prejudicando o comércio bilateral, hoje estimado em mais de US$ 70 bilhões anuais. E a avaliação é que, com Trump em campanha, o embate só tende a se aprofundar.
Por: Genivaldo Coimbra
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