Ministro do STF determina retirada de deputados bolsonaristas que acampavam no local; segurança é reforçada após temor de novo 8 de Janeiro
A manhã deste sábado (26) começou diferente em Brasília: a Praça dos Três Poderes, um dos principais cartões-postais da capital federal, amanheceu cercada por grades. A medida foi determinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, que ordenou a retirada imediata de parlamentares bolsonaristas que acampavam na região em protesto contra medidas judiciais aplicadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro, como o uso de tornozeleira eletrônica.
A decisão de Moraes foi executada durante a madrugada. Entre os parlamentares que desmontaram seus acampamentos estão os deputados Helio Lopes (PL-RJ) e Coronel Chrisóstomo (PL-RO). Ambos deixaram o local após negociação direta com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), que foi pessoalmente à praça para garantir o cumprimento da ordem.
A cena chamou a atenção de turistas e moradores que passaram pela Esplanada e encontraram a área cercada e bloqueada. Pequenos grupos de apoiadores de Bolsonaro se concentraram ao redor, fazendo críticas à medida e à atuação de Moraes no processo que investiga a tentativa de golpe de Estado no Brasil. “Isso mostra que a democracia está morta”, reclamou a advogada Taniéli Telles, que representa acusados pelos atos de 8 de Janeiro.
Jordana Ferreira, presidente do PL Mulher em Goiânia, também esteve no local e convocou simpatizantes do ex-presidente para ocupar a praça. “Estamos sendo silenciados por lutar pelo nosso país”, disse ela.
A determinação do STF tem como principal objetivo reforçar a segurança e evitar novos ataques semelhantes ao ocorrido em 8 de janeiro de 2023, quando manifestantes invadiram e depredaram os prédios do STF, Congresso Nacional e Palácio do Planalto. “Para garantir a segurança pública e evitar novos eventos criminosos semelhantes aos atos golpistas, determino a proibição de qualquer acampamento em um raio de 1 km da Praça dos Três Poderes, da Esplanada dos Ministérios e, evidentemente, em frente aos quartéis”, afirmou Moraes em sua decisão.
Além da presença de manifestantes, um grupo de motoqueiros também compareceu à praça nesta manhã e protestou em frente ao STF. Eles criticaram a forma como as investigações sobre os atos antidemocráticos vêm sendo conduzidas.
Com o julgamento de Jair Bolsonaro e de outros acusados de arquitetar uma tentativa de golpe previsto para o início de setembro, a expectativa é que os órgãos de segurança reforcem ainda mais o esquema de proteção ao Supremo Tribunal Federal e demais instituições da República.
Por: Genivaldo Coimbra
Foto: Reprodução/CNN