Instituição alerta que publicações com informações falsas podem gerar corrida bancária e ameaçar a estabilidade do sistema financeiro nacional
O Banco do Brasil (BB) pediu à Advocacia-Geral da União (AGU) que adote medidas contra uma onda de desinformação nas redes sociais. Entre os conteúdos denunciados está um vídeo publicado pelo deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), no qual ele afirma que a instituição poderia ser “cortada das relações internacionais” e levada à falência.
Segundo o ofício enviado à AGU, os ataques começaram em 19 de agosto e se intensificaram no dia seguinte, com a gravação de Eduardo Bolsonaro no YouTube, onde reúne mais de 1,7 milhão de seguidores. Além dele, o banco cita publicações do deputado Gustavo Gayer (PL-GO) e do advogado Jeffrey Chiquini, que, de acordo com a denúncia, teriam feito postagens consideradas difamatórias e prejudiciais à soberania nacional.
O BB alerta que a campanha pode configurar crimes contra o Estado Democrático de Direito, o Sistema Financeiro Nacional e até mesmo violação de sigilo bancário. A preocupação é que o conteúdo espalhado em plataformas como X (antigo Twitter), Instagram, Threads e YouTube incentive correntistas a retirarem recursos, desencadeando uma corrida bancária.
A presidente do BB, Tarciana Medeiros, já havia manifestado publicamente sua insatisfação com as informações falsas em evento realizado no dia 20, sem citar nomes. O banco destacou ainda que, após a repercussão, clientes passaram a buscar esclarecimentos temendo sanções inexistentes ligadas à Lei Magnitsky, norma norte-americana usada como justificativa para espalhar boatos sobre restrições financeiras.
No último sábado (23), os ministros Fernando Haddad (Fazenda) e Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais) responsabilizaram apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro pela disseminação da campanha de ataques contra a instituição.
Por: Genivaldo Coimbra
Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil