Aedes aegypti com bactéria Wolbachia chegam a Valparaíso, Luziânia e Brasília; ação promete diminuir em até 70% os casos da doença nos próximos anos
O cenário de calor e estiagem em Goiás volta a acender o alerta para a dengue e outras doenças transmitidas pelo Aedes aegypti. Em meio a esse desafio, a Secretaria Estadual da Saúde (SES-GO) inicia um projeto que pode mudar o futuro da luta contra as arboviroses: a soltura de mosquitos portadores da bactéria Wolbachia.
Esses insetos não transmitem dengue, zika ou chikungunya. Pelo contrário, se tornam aliados no controle, já que a bactéria é passada de geração em geração, tornando inofensiva a população de mosquitos com o tempo. Experiências em cidades como Niterói (RJ) já mostraram queda de até 70% nos casos.
O secretário de Saúde de Goiás, Rasível Santos, lembra o impacto da doença no estado:
“Em 2024, tivemos a pior epidemia de dengue em Goiás, com mais de 323 mil casos confirmados e 451 mortes pela doença. A estratégia da Wolbachia deverá trazer efeitos a médio e longo prazo. É uma medida que vem se somar às outras ações que já adotamos no estado”, disse.
A medida não substitui os cuidados já conhecidos, mas fortalece a rede de prevenção. A subsecretária de Vigilância em Saúde, Flúvia Amorim, reforça que a participação da população continua sendo fundamental:
“O objetivo dessa estratégia é substituir a população de mosquitos que estão hoje no meio ambiente por mosquitos infectados por esta bactéria. Mas é fundamental continuar com outras estratégias, como a eliminação de criadouros e bloqueio de casos com bombas costais. Assim, mesmo que não consigamos eliminar todos os mosquitos, os poucos que restarão não conseguirão transmitir as doenças”, explicou.
Mesmo com a queda expressiva de casos em 2025, Goiás já confirmou 72 mortes por dengue. Por isso, além de novas tecnologias, medidas simples como o uso de repelente, roupas de manga comprida e o cuidado com recipientes que acumulam água ainda são as melhores armas contra o Aedes.
Por: Redação
Foto: SES