Deputado afirma que, caso o país siga “rumo à Venezuela”, governo Trump pode intervir militarmente para defender a liberdade
No mesmo dia em que o Supremo Tribunal Federal (STF) condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) reagiu com declarações polêmicas sobre o futuro do Brasil e uma possível intervenção dos Estados Unidos.
Em entrevista à coluna Paulo Cappelli, do portal Metrópoles, o parlamentar citou a possibilidade de o governo Donald Trump enviar “caças F-35 e navios de guerra” ao território brasileiro, caso o país siga, em sua visão, “rumo semelhante ao da Venezuela”.
— Acho que nesse momento não. Mas, se o regime brasileiro for consolidado e tiver evolução igual à da Venezuela, com eleições nada transparentes, censura e prisões políticas, pode perfeitamente ser necessária a vinda de caças e navios de guerra — afirmou Eduardo.
A declaração veio após a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmar que Trump “não tem medo de usar meios militares para proteger a liberdade de expressão”, em referência ao julgamento de Bolsonaro. O deputado considerou a fala “muito feliz” e disse que o discurso “demonstra a disposição dos EUA em defender as pautas da liberdade”.
“Prefiro a guerra”
Questionado sobre o risco de uma intervenção militar estrangeira em solo brasileiro, Eduardo Bolsonaro não recuou.
— Você aceitaria ser escravo para evitar uma guerra? Eu prefiro a guerra. É como Churchill disse a Chamberlain, quando voltou da Alemanha com acordo com Hitler: poderia ter escolhido entre a desonra e a guerra. Eu não fecho os olhos para o que acontece no meu país — declarou.
Ele ainda acusou o Supremo de conduzir uma “inquisição” contra seu pai e disse que “não é encarcerando o líder da oposição que se preserva a democracia”.
Citações a presos políticos e inocentes
O deputado também mencionou nomes de pessoas que considera vítimas de perseguição política, como a senhora Iraci Nagashi, de 73 anos, e a militante Débora Rodrigues dos Santos, condenada a 14 anos de prisão por pichar uma estátua com batom.
— As pessoas inocentes já estão sofrendo. O Jair Bolsonaro é uma pessoa inocente, o Clezão é inocente. Essa é a realidade que já vivemos — completou.
As falas de Eduardo Bolsonaro ampliam o tom de tensão após a condenação do ex-presidente, que divide o país e repercute internacionalmente, sobretudo na relação entre Brasília e Washington.
Por’ Lucas Reis
Foto: Marcelo Camargo/Arquivo/Agência Brasil