Possível medida surge após condenação de Bolsonaro e pode ampliar pressão de Trump sobre o Brasil
O governo dos Estados Unidos avalia incluir o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) na lista de organizações terroristas. A possibilidade, citada pela consultoria Eurasia Group, faz parte de um conjunto de sanções que Washington pode adotar após a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pelo Supremo Tribunal Federal.
Entre as medidas já aplicadas, os EUA impuseram tarifa de 50% sobre produtos brasileiros e sancionaram o ministro Alexandre de Moraes pela Lei Global Magnitsky. O presidente Donald Trump classificou o julgamento de Bolsonaro como uma “caça às bruxas” e sinalizou que novas ações punitivas estão em estudo. O secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou que haverá anúncios em breve.
Para analistas, a eventual designação de PCC e CV como terroristas também reflete prioridades do governo Trump no combate ao narcotráfico na América Latina. Washington já aplica essa classificação a cartéis mexicanos e ao grupo venezuelano Tren de Aragua, ampliando operações militares no Caribe e na costa da Venezuela.
A hipótese preocupa o Brasil, já que a medida poderia justificar intervenções militares dos EUA na região. Em reunião do Brics, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a presença de forças americanas no Caribe, afirmando que segurança pública não deve ser confundida com terrorismo. Para ele, esse tipo de ação aumenta tensões internacionais.
Segundo a Eurasia, a decisão sobre PCC e CV não é iminente, mas pode ocorrer nos próximos meses. O assassinato do ex-delegado-geral de São Paulo, Ruy Ferraz Fontes, atribuído ao PCC, reforçou a atenção de Washington. Para especialistas, a pressão política interna nos EUA também pode acelerar o endurecimento das medidas contra o Brasil.
Por: Genivaldo Coimbra
Foto: Arquivo/Agência Brasil