MP aponta que acusado movimentou mais de R$ 34 milhões em esquema de falsas promessas de investimento
Um empresário foi denunciado pelo Ministério Público de Goiás (MP-GO) à 2ª Vara de Garantias de Goiânia sob acusação de estelionato majorado contra uma pessoa idosa. A denúncia é resultado de inquérito conduzido pela Delegacia Especializada no Atendimento ao Idoso (Deai), da Polícia Civil.
De acordo com a investigação, entre 2018 e 2022 o denunciado teria convencido a vítima a realizar repasses periódicos de dinheiro sob a promessa de investimentos “seguros”, de alta rentabilidade e garantidos por bens reais. No entanto, segundo o MP, os valores foram transferidos para contas do próprio empresário, da esposa e de empresas ligadas diretamente ao grupo familiar.
Os autos apontam que cerca de R$ 22 milhões foram destinados a uma empresa controlada pelo genro do acusado, enquanto outros R$ 12,8 milhões teriam sido movimentados em favor do próprio empresário. As operações incluíram transferências bancárias, depósitos e até transações com criptomoedas envolvendo terceiros ligados a ele.
A vítima manteve os repasses durante quatro anos, acreditando nas promessas de retorno financeiro. Quando os prazos não foram cumpridos, ela notificou o empresário, cobrando a devolução do dinheiro. Em resposta, o denunciado alegou que não havia obrigação de prestar contas, sustentando que todas as operações ocorreram “com base na confiança pessoal” e sem contrato formal.
O Ministério Público afirma que os valores não foram aplicados como prometido e que o acusado utilizou parte considerável dos recursos para fins pessoais, além de vender bens relacionados ao negócio sem repassar os valores à vítima.
A denúncia enquadra o empresário por estelionato majorado, em continuidade delitiva, conforme o artigo 171, §4º, combinado com o artigo 71 do Código Penal. O MP também solicitou a fixação de valor mínimo para reparação do dano.
Procurada, a defesa do acusado informou que, “em razão da natureza sigilosa do processo, reserva-se ao direito de não comentar”. A nota também destacou “estranheza com o vazamento criminoso de denúncia pendente de recebimento”.
Por: Lucas Reis
Foto: MPGO