Grupo cobra que sigla mantenha remuneração do ex-presidente mesmo diante de condenação e reclama de falas de Valdemar Costa Neto
Um grupo de novos filiados ao Partido Liberal (PL), formado por políticos em início de mandato e influenciadores de direita que miram a eleição de 2026, ameaça deixar a legenda caso o ex-presidente Jair Bolsonaro tenha seu salário cortado. A insatisfação cresceu após declarações recentes de Valdemar Costa Neto, presidente da sigla, sobre o planejamento de um golpe de Estado.
Nos bastidores, esses aliados avaliam que a suspensão da remuneração de Bolsonaro, presidente de honra do partido, seria um desrespeito a quem, segundo eles, impulsionou o crescimento da legenda com a eleição de quase 100 deputados em 2022. Além disso, criticam a possibilidade de o PL apoiar, de forma antecipada, outro pré-candidato sem aval de Bolsonaro.
O estopim da crise foi uma fala de Valdemar em evento no último dia 13. Ele declarou que “houve um planejamento de golpe, mas nunca teve o golpe efetivamente”, comparando a situação a um crime de homicídio que não se concretizou. A fala irritou o chamado “baixo clero” do PL, que segue pressionando por uma anistia ampla para os envolvidos nos atos de 8 de janeiro.
Após a repercussão negativa, Valdemar recuou. Disse que sua fala havia sido tirada de contexto e reforçou que não houve planejamento nem tentativa de golpe. “Foi no campo do imaginário”, afirmou o dirigente.
A crise interna ocorre em meio ao agravamento da situação jurídica de Bolsonaro. No dia 11 de setembro, o Supremo Tribunal Federal (STF) condenou o ex-presidente a 27 anos e 3 meses de prisão, por crimes de organização criminosa e tentativa de golpe de Estado. Outros sete aliados também foram condenados, entre eles Walter Braga Netto, que segue preso, e Anderson Torres, que guardava uma minuta de decreto para anular as eleições.
Mesmo com a condenação, os novos filiados defendem que Bolsonaro continue a receber salário do partido e mantêm o discurso de fidelidade ao ex-presidente. Caso contrário, sinalizam debandada, o que pode ampliar a turbulência na legenda às vésperas das eleições municipais e da preparação para 2026.
Por: Genivaldo Coimbra
Foto: Lula Marques/Agência Brasil