Presidente dos EUA destacou “ótima química” com Lula durante discurso em Nova York apesar do tom cordial, Trump também criticou tarifas e afirmou que o Brasil depende da cooperação com Washington
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, surpreendeu ao elogiar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em discurso na Assembleia Geral da ONU, nesta terça-feira (23/9), em Nova York. Segundo ele, ambos tiveram uma “boa conversa” e devem se reunir já na próxima semana.
“Encontrei Lula, nos abraçamos e vamos nos encontrar semana que vem”, declarou Trump, arrancando aplausos do plenário. Ele destacou que, mesmo em um breve diálogo de “uns 20 segundos”, percebeu uma “ótima química” com o brasileiro. “Ele pareceu um homem muito agradável. Na verdade, ele gostou de mim, e eu gosto dele. Eu só faço negócio com quem eu gosto”, afirmou.
Críticas e tarifas
O tom amistoso, no entanto, foi seguido de críticas. Trump voltou a cobrar o Brasil pelas tarifas comerciais e afirmou que o país “só poderá prosperar” em parceria com os Estados Unidos. “O Brasil nos tarifou de forma injusta. Agora, com as nossas tarifas, estamos rebatendo. Sem nós, eles vão falhar”, disse.
As declarações ocorrem em meio a tensões comerciais entre os dois países. Desde 1º de agosto, produtos brasileiros passaram a ser taxados em 50% pelos EUA, em retaliação à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro a mais de 27 anos de prisão.
Outros temas abordados
Em seu discurso de quase 30 minutos, Trump também criticou a atuação da ONU, acusou o órgão de “produzir apenas palavras vazias” e disse ter encerrado sete guerras durante sua administração. Ele falou ainda sobre imigração, Ucrânia, Palestina e Venezuela, defendendo ações militares contra cartéis e cobrando mais firmeza da comunidade internacional.
Ao mencionar a Europa, o presidente americano alertou para o que chamou de “invasão” de imigrantes ilegais, afirmando que isso poderia significar “a morte do continente”. Na questão da Palestina, condenou países que reconheceram o Estado palestino dias antes da assembleia, dizendo que isso “recompensa o Hamas”.
Relação com o Brasil
Apesar das críticas econômicas, o anúncio de um encontro com Lula abre espaço para diálogo. Analistas avaliam que o gesto de Trump pode sinalizar uma tentativa de equilibrar pressões políticas com aproximações diplomáticas, num momento em que as relações entre os dois países enfrentam desafios significativos.
Por: Lucas Reis
Foto: Reprodução Via/SBT News