Sinal de alerta : Brasil registra pior agosto na geração de vagas desde 2020

A criação de empregos com carteira assinada caiu drasticamente, acendendo um sinal vermelho no mercado de trabalho e afetando a esperança do trabalhador brasileiro

​O mês de agosto trouxe uma notícia preocupante para milhões de brasileiros que buscam estabilidade no mercado de trabalho. Segundo os dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o país registrou o pior desempenho líquido na abertura de vagas formais desde 2020. O saldo final foi de 147.358 novos postos de trabalho. Embora positivo, o número representa uma queda brusca de 38% em relação ao mesmo período do ano passado, mostrando um claro esfriamento na capacidade do Brasil de gerar novas oportunidades.
​A desaceleração reflete a cautela da economia. Em agosto, foram pouco mais de 2,2 milhões de contratações em todo o país, mas quase 2,1 milhões de demissões. O destaque positivo ficou, mais uma vez, com o setor de Serviços, que puxou o saldo com mais de 81 mil novos empregos – um alívio para quem busca trabalho em áreas como saúde, educação e comércio. Em contraste, o setor Agropecuário teve um desempenho negativo, eliminando mais vagas do que criou.
​Para o trabalhador, a notícia mais difícil é a quebra da expectativa de crescimento. O número de vagas formais criadas foi menor até que o registrado em agosto de 2020, ano marcado pelo início da pandemia e por uma forte incerteza econômica. Essa diferença de ritmo se traduz em mais dificuldade para quem está desempregado e menor poder de negociação para quem está empregado. No entanto, um leve respiro foi sentido no bolso: o salário médio de admissão subiu discretamente para R$ 2.295,01.
​Regionalmente, a diferença de oportunidades se acentuou. São Paulo (45.450) e Rio de Janeiro (16.128) lideraram a criação de empregos, concentrando a maior parte das chances. Infelizmente, dois estados enfrentaram o cenário oposto: o Rio Grande do Sul teve um saldo negativo de 1.648 vagas e Roraima também fechou postos. Os números reforçam o desafio do país em distribuir de forma igualitária a recuperação do emprego e garantir a carteira assinada para todos os brasileiros.


Por: Tatiane Braz
Foto: Tony Winston/Agência Brasília

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