Decisão do Supremo expõe a estratégia do deputado de evitar a Justiça brasileira e acusações de conduta criminosa, intensificando o desgaste político da família Bolsonaro
A determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de citar o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) por edital marca um ponto de virada na crise institucional entre o Judiciário e a oposição radical. Ao recorrer a essa medida extrema, devido à impossibilidade de notificação pessoal— já que o deputado se encontra nos Estados Unidos —, Moraes transforma a viagem do parlamentar em um “exílio tático” forçado. A decisão acusa diretamente Eduardo de tentar “dificultar o andamento do processo”, expondo publicamente uma estratégia de fuga legal que mina sua imagem política.
O teor da decisão não poupa críticas, acusando o deputado de “repetir práticas consideradas criminosas no exterior”. Essa linha dura do STF sugere que Eduardo Bolsonaro não apenas busca evitar a Justiça brasileira, mas também usa sua posição internacional para continuar o que a Procuradoria-Geral da República (PGR) considera serem atos de coação no curso do processo. Isso reforça a narrativa de que o deputado é um dos principais articuladores da oposição ao Supremo, agindo para intimidar ministros tanto no Brasil quanto no exterior, como indicam as acusações de tentar suspender vistos de magistrados.
Para a família Bolsonaro, a citação por edital representa um desgaste político significativo. O ato, normalmente reservado a foragidos ou pessoas em paradeiro desconhecido, lança uma sombra de ilegitimidade sobre as ações do parlamentar. A comparação com o blogueiro Paulo Figueiredo, que será notificado por carta rogatória (um procedimento formal de cooperação internacional), evidencia o peso da atitude de Eduardo, que, mesmo como congressista, parece estar evitando deliberadamente suas responsabilidades legais no país.
Se a denúncia for aceita pelo STF, o deputado pode se tornar réu por coação, com pena prevista de um a quatro anos de prisão. Este cenário não só afeta sua liberdade, mas também o futuro de seu mandato. A decisão de Moraes, portanto, não é apenas processual, mas altamente política: ela sinaliza que o Judiciário não tolerará mais as manobras para retardar a Justiça, elevando o custo político e legal da oposição radical liderada por membros da família Bolsonaro.
Por: Genivaldo Coimbra
Foto: Crédito: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados