Com investimento superior a R$ 150 milhões, o novo tratamento promete reduzir pela metade a mortalidade em casos de câncer de mama HER2-positivo
O Ministério da Saúde deu início à distribuição nacional do medicamento Trastuzumabe Entansina, substância de última geração destinada ao tratamento do câncer de mama HER2-positivo, uma das variações mais agressivas da doença.
A primeira remessa, composta por 11.978 unidades, chegou ao Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP) nesta segunda-feira (13), coincidindo com o Outubro Rosa, mês de conscientização sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce.
O medicamento será encaminhado às secretarias estaduais de saúde, que ficarão responsáveis pela aplicação conforme os protocolos clínicos. A distribuição seguirá um cronograma com mais três entregas, previstas para dezembro de 2025, março e junho de 2026, atendendo integralmente a demanda atual do SUS e beneficiando 1.144 pacientes já no próximo ano.
O Trastuzumabe Entansina atua de forma precisa, atacando apenas as células tumorais com expressão da proteína HER2, preservando as células saudáveis e tornando o tratamento mais eficaz e menos invasivo.
O anúncio foi celebrado pelo ministro-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, que destacou: “HISTÓRICO: Medicamento ultra-moderno contra o câncer de mama chega ao Brasil para ser distribuído no SUS! O Trastuzumabe Entansina, que custa mais de R$ 11 mil por frasco na rede privada, agora será ofertado gratuitamente. Ele é indicado para pacientes que ainda têm sinais da doença após o início da quimioterapia.”
Já o diretor do Departamento de Atenção ao Câncer, José Barreto, afirmou: “É um avanço gigantesco para a oncologia nacional, com o primeiro protocolo clínico voltado a esse tratamento. (…) Poderá reduzir em até 50% a mortalidade das pacientes com câncer de mama do tipo HER2 positivo.”
O investimento total foi de R$ 159,3 milhões, com a aquisição de 34,4 mil frascos-ampola. A negociação com desconto de cerca de 50% em relação ao valor do mercado privado gerou uma economia de R$ 165,8 milhões.
Além dessa incorporação, o Ministério da Saúde ampliará o acesso a outros medicamentos, como os inibidores de ciclinas (abemaciclibe, palbociclibe e ribociclibe), voltados para casos avançados e metastáticos.
Outra medida relevante é a ampliação da faixa etária para realização de mamografias no SUS, agora disponíveis a partir dos 40 anos, mesmo sem sintomas. Em 2024, 30% dos exames realizados foram em mulheres abaixo dos 50 anos.
Por: Genivaldo Coimbra
Foto: Reprodução/João Risi/MS