Aos 80 anos, presidente afirma ter energia para novo desafio; alta na popularidade reforça decisão e dá ânimo ao PT
Durante agenda oficial na Indonésia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) confirmou nesta quinta-feira (23) que pretende disputar um quarto mandato nas eleições presidenciais de 2026. A declaração, feita em Jacarta, marca a primeira confirmação pública de Lula sobre sua nova candidatura.
“Eu vou disputar um quarto mandato no Brasil. Estou preparado para outras eleições”, afirmou o petista ao presidente indonésio Prabowo Subianto, acrescentando que, mesmo prestes a completar 80 anos, mantém “a mesma energia de quando tinha 30”.
Até então, Lula havia condicionado uma nova disputa à sua condição de saúde. A fala, no entanto, surge em meio a uma retomada de sua popularidade e à dificuldade do PT em apresentar novos nomes de peso para a sucessão presidencial.
Popularidade em alta
Segundo pesquisa Genial/Quaest, divulgada em 8 de outubro, 33% dos brasileiros avaliam o governo Lula como positivo — o melhor índice de 2025. A aprovação geral do presidente chegou a 49%, contra 48% de desaprovação, um empate dentro da margem de erro.
O levantamento reforça a confiança do petista em buscar um novo mandato, especialmente diante de um cenário político ainda polarizado. Analistas avaliam que a melhora na percepção pública e os avanços econômicos recentes podem consolidar o favoritismo de Lula nas pesquisas eleitorais que antecedem 2026.
Agenda internacional e encontro com Trump
A confirmação da candidatura ocorreu durante uma viagem pela Ásia, que inclui compromissos na Indonésia e na Malásia. Lula participa da Cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) e deve se reunir, nos próximos dias, com o ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump, em Kuala Lumpur.
O encontro — ainda não oficializado pelas diplomacias de ambos os países — deve abordar tarifas sobre produtos brasileiros, como carne e aço, além de temas sensíveis de política externa, como as tensões com a Venezuela e a aplicação da Lei Magnitsky contra autoridades brasileiras.
Com a confirmação, Lula entra oficialmente no radar eleitoral de 2026, reacendendo debates sobre sucessão, alianças e o futuro da esquerda no Brasil.
Por: Genivaldo Coimbra
Foto: Ricardo Stuckert /PR