Segundo a Polícia Civil, 115 mortos eram traficantes e quatro policiais; ação foi planejada para evitar danos a moradores
A Polícia Civil do Rio de Janeiro confirmou nesta quarta-feira (29) que 119 pessoas morreram durante a operação mais letal já registrada no estado, realizada na terça-feira (28) no Complexo da Penha, zona norte da capital.
De acordo com o delegado Felipe Curi, 115 dos mortos seriam traficantes e quatro eram policiais civis. O balanço da corporação aponta ainda que 146 suspeitos foram presos, sendo 113 do Rio e 33 de outros estados, todos com ligação à facção criminosa Comando Vermelho (CV).
Durante a ação, as forças de segurança apreenderam 118 armas, entre elas 91 fuzis, 26 pistolas, um revólver e 14 explosivos. Milhares de munições e carregadores também foram recolhidos. Segundo Curi, o objetivo era desarticular o núcleo de comando da facção, responsável por coordenar o tráfico em várias regiões do país.
O delegado afirmou que a operação foi planejada para minimizar riscos à população, sendo realizada em área de mata, onde os criminosos estariam escondidos. “Buscamos causar o menor dano possível aos moradores. Foi uma ação técnica e estratégica”, disse.
Curi classificou a ofensiva como “o maior golpe da história do Comando Vermelho”, ressaltando que a facção sofreu perdas significativas em armas, drogas e lideranças. “Quem optou pelo confronto foi neutralizado. A reação da polícia depende da reação do criminoso”, destacou.
O secretário de Segurança Pública do Rio, Victor Santos, reconheceu que a alta letalidade era previsível, mas afirmou que a operação “foi necessária e planejada ao longo de um ano”. Ele lamentou a morte dos quatro agentes e declarou: “Perdemos heróis que saíram de casa para proteger vidas inocentes”.
Segundo o governo, a ação contou com apoio de policiais de outros estados, especialmente do Pará, e teve como foco o enfrentamento direto aos narcoterroristas que atuam no território fluminense.
Por: Genivaldo Coimbra
Foto:Tomaz Silva /Agência Brasil