Decisão sobre o futuro do ex-presidente caberá a Alexandre de Moraes; aliados admitem perda de mobilização e racha estratégico dentro do partido
O ex-presidente Jair Bolsonaro enfrenta um cenário de apatia entre apoiadores e crescente divisão interna no PL às vésperas da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre sua prisão definitiva no caso da trama golpista. O ministro Alexandre de Moraes decidirá se a pena será cumprida em regime domiciliar — como ocorre desde agosto de 2025 — ou em presídio comum, como a Papuda, em Brasília.
Segundo aliados, as medidas restritivas graduais impostas pela Justiça — apreensão do passaporte, proibição de uso de redes sociais e prisão domiciliar — reduziram o poder de mobilização do bolsonarismo. O pastor Silas Malafaia comparou a reação da base à metáfora do “sapo na água quente”, afirmando que a escalada lenta das punições anestesiou a militância, que hoje reage com indiferença ao avanço do processo.
A comparação com a mobilização em torno da prisão de Lula, em 2018, é inevitável: enquanto o petista reuniu multidões, Bolsonaro atraiu apenas 40 pessoas à vigília realizada após sua condenação em setembro. O último grande ato ocorreu no 7 de Setembro, na Avenida Paulista.
Dentro do PL, o clima é de disputa. O presidente do partido, Valdemar Costa Neto, é acusado por aliados de Bolsonaro de omissão e falta de apoio financeiro à defesa do ex-presidente. Já o grupo próximo de Eduardo Bolsonaro defende uma ruptura com o “centrão” e a reorganização do partido em torno de uma nova liderança da direita.
A ausência de um sucessor viável para 2026, somada à inelegibilidade de Bolsonaro, gera incerteza e desmobilização entre as bases. Analistas políticos apontam que o movimento, antes movido por fervor e narrativa de resistência, hoje se mostra fragmentado e sem direção estratégica clara.
Por: Lucas Reis
Foto: Alan Santos/PR