Criado pelo Banco Central em 2020, sistema revolucionou transferências, ampliou a inclusão financeira e se tornou parte do cotidiano dos brasileiros
O Pix chega ao quinto aniversário neste domingo (16/11) mantendo o posto de principal meio de pagamento usado no Brasil. Lançado pelo Banco Central (BC) em novembro de 2020, o sistema de pagamentos instantâneos mudou a relação dos brasileiros com o dinheiro, acelerou a digitalização financeira e abriu novas fronteiras para bancos, empresas e consumidores.
Segundo dados do BC, apenas no primeiro semestre de 2025 o Pix movimentou R$ 15 trilhões, somando 36,9 bilhões de transações — o equivalente a mais da metade de todas as operações realizadas no país. O crescimento é expressivo: foram 27,6% mais transferências do que no mesmo período de 2024.
Até maio deste ano, 167,5 milhões de pessoas e 20,1 milhões de empresas utilizavam o sistema. Além das transferências entre usuários, o Pix ganhou relevância nas relações comerciais: 42,1% das operações envolveram consumidores e empresas, enquanto 45% ocorreram entre pessoas físicas.
A ferramenta também vem substituindo práticas tradicionais. O Pix Saque registrou expansão de 36,2% e atingiu 7,7 milhões de operações no primeiro semestre, reduzindo a necessidade de dinheiro físico. Para o Banco Central, o impacto vai além da conveniência: a infraestrutura aberta do Pix tem permitido que instituições financeiras ampliem serviços e ofereçam produtos personalizados com base no comportamento dos clientes.
Apesar dos avanços, o crescimento acelerado trouxe desafios. Golpes envolvendo engenharia social, contas laranja e falsos atendentes exigiram novas camadas de segurança. O BC reforçou mecanismos de autenticação, especialmente para operações realizadas em celulares não cadastrados.
Outro marco recente é o Pix Automático, obrigatório desde outubro, que permite débitos periódicos autorizados pelo usuário. A expectativa é de que a ferramenta substitua o boleto e facilite pagamentos recorrentes, beneficiando até 60 milhões de brasileiros sem cartão de crédito.
Para o diretor de Organização do Sistema Financeiro do BC, Renato Dias De Brito Gomes, o Pix elevou a eficiência do sistema de pagamentos nacional. “Trata-se de uma infraestrutura pública que equaliza condições e reduz custos para toda a economia”, afirmou.
Por: Lucas Reis
Foto: Bruno Peres/Agência Brasil