Mesmo com restrições de visita, correligionários afirmam que o ex-presidente continuará definindo alianças e candidaturas para 2026
A confirmação, por unanimidade, da prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pela Primeira Turma do STF nesta segunda-feira (24) reconfigurou o tabuleiro político da direita às vésperas das eleições de 2026. Para aliados, o cenário deve repetir o que ocorreu com o PT em 2018, quando as principais estratégias eleitorais foram comandadas por Lula a partir da prisão em Curitiba.
No caso de Bolsonaro, a expectativa de deputados e senadores do PL é semelhante: a palavra final sobre alianças, chapas majoritárias e até sobre o candidato à Presidência continuará vindo do ex-mandatário, mesmo agora detido na Superintendência da Polícia Federal.
Estratégias definidas por Bolsonaro
Desde que passou à prisão domiciliar pela condenação relacionada à trama golpista, Bolsonaro já vinha sendo tratado como articulador central da direita. Mesmo com a mudança para o regime fechado, líderes asseguram que o ex-presidente seguirá atuando como principal estrategista.
Visitas permanecem restritas a familiares, advogados e médicos, mas isso não diminui a confiança do PL. Para muitos, a família Bolsonaro será o canal oficial para transmitir suas orientações políticas.
Em coletiva nesta segunda-feira, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) reforçou a posição:
“Todas as decisões para 2026 serão repassadas ao nosso líder maior, o presidente Bolsonaro. Nada será feito sem seu aval”, afirmou após reunião com dirigentes do PL no Congresso, que durou quase quatro horas.
“A palavra final é dele”, dizem aliados
O presidente do PL em Minas Gerais, deputado Domingos Sávio, sustenta que a prisão não enfraquecerá a liderança do ex-presidente na direita.
“Bolsonaro continua sendo decisivo na definição de candidaturas majoritárias e não será abandonado”, disse.
O deputado estadual Bruno Engler (PL-MG) foi na mesma linha:
“Ele está preso, mas não está morto. A família terá contato com ele na cadeia e vai repassar suas decisões. Bolsonaro segue sendo quem dita os rumos da direita.”
Prisão deve afetar menos que no caso Lula
Para o cientista político Camilo Aggio, da UFMG, a detenção de Bolsonaro tende a ser menos prejudicial do que a de Lula em 2018.
“Lula enfrentava desgaste natural após muitos anos de protagonismo e disputas desde 1989. Bolsonaro, ao contrário, mantém uma base que ainda deseja vê-lo como presidente”, analisa. Segundo Aggio, o impacto na capacidade de articulação também deve ser menor.
A direita, portanto, se organiza para um ano eleitoral em que, segundo aliados, a influência do ex-presidente continuará norteando o caminho de seus candidatos — mesmo que todas as decisões precisem partir de dentro da prisão.
Por: Lucas Reis
Foto: Agência Brasil