Esposa também foi condenada; investigação apontou manipulação espiritual, emocional e psicológica das vítimas
O pastor Vanderlei de Oliveira foi condenado a 130 anos de prisão após investigações confirmarem que ele abusava de fiéis ao simular incorporações de anjos durante atendimentos religiosos em Anápolis. O julgamento, conduzido pela juíza Marcela Caetano da Costa, concluiu que o líder religioso usava a fé e a vulnerabilidade emocional das vítimas para cometer os crimes.
A esposa, Maria de Lourdes, recebeu pena de 95 anos, já que as apurações mostraram que ela ajudava o marido a manter o esquema de manipulação, confortando e incentivando fiéis a confiar no pastor, mesmo enquanto episódios de abuso aconteciam.
Segundo o Ministério Público, Vanderlei se apresentava como uma autoridade espiritual capaz de intermediar mensagens divinas. Essa narrativa era reforçada pela esposa, que ajudava a criar um ambiente de confiança total — condição que permitia ao pastor praticar os abusos sem ser questionado.
A delegada Isabella Joy revelou que o acusado escolhia pessoas emocionalmente fragilizadas ou com problemas de saúde, acreditando que seriam mais suscetíveis a aceitar suas orientações como parte de um ritual espiritual. Em alguns casos, as agressões ocorreram diante da esposa, que permanecia em silêncio.
A sentença representa um marco para a responsabilização de crimes cometidos sob pretexto religioso e traz um encerramento importante para as vítimas, que tiveram coragem de relatar as agressões.
Por: Lucas Reis
Foto: Divulgação/DEAM