Distribuição de kits de churrasco promovida por frigorífico dividiu opiniões entre gesto solidário e críticas à forma da entrega
Uma ação realizada na véspera de Natal provocou forte repercussão em Aparecida de Goiânia e abriu um amplo debate nas redes sociais sobre solidariedade e dignidade. Na quarta-feira (24), um helicóptero pertencente a um frigorífico da capital lançou pacotes de carne em uma área aberta do município, reunindo dezenas de moradores que correram para recolher os alimentos.
Vídeos que circularam amplamente na internet mostram a aeronave sobrevoando um pasto enquanto adultos e crianças disputam os kits de churrasco espalhados pelo chão. A iniciativa foi organizada pelo empresário Leandro Batista Nóbrega, proprietário do Frigorífico Goiás, com apoio de familiares. Em publicações nas redes sociais, ele classificou a ação como um “Natal solidário”, destacando o objetivo de ajudar famílias em situação de vulnerabilidade.
Outras imagens divulgadas pela própria empresa mostram o helicóptero em solo e moradores, inclusive crianças, segurando os kits recebidos. Apesar do caráter assistencial, a forma como a distribuição ocorreu dividiu opiniões. Parte do público elogiou a doação de alimentos em um período de dificuldades econômicas, enquanto outra parcela criticou o método, apontando exposição e constrangimento das pessoas que participaram da ação.
Empresa diz que helicóptero precisou decolar por segurança
Segundo relatos publicados nas redes sociais, chegou a ser organizada uma tentativa de fila para a entrega dos kits. A Polícia Militar de Goiás teria sido acionada para auxiliar na organização. No entanto, de acordo com o Frigorífico Goiás, a situação saiu do controle.
Em nota, a empresa afirmou que tentou priorizar a entrega para crianças, mas que não houve colaboração por parte dos adultos. “Foram feitas todas as tentativas possíveis para organizar uma fila. Diante da falta de colaboração e por motivos de segurança, o helicóptero precisou decolar, não sendo possível permanecer pousado no local”, informou o frigorífico.
O episódio reacendeu discussões sobre ações assistenciais realizadas sem planejamento adequado e sobre a responsabilidade social de empresas ao promover iniciativas desse tipo, especialmente em comunidades vulneráveis.
Além dessa ação, o Frigorífico Goiás já esteve envolvido em outra polêmica ao longo do ano. Em setembro, a Justiça determinou a retirada de cartazes e publicações com conteúdo político considerado discriminatório, após ação movida pelo Ministério Público de Goiás.
Por: Alex Alves
Foto: Reprodução