Fim de uma era: Brasil planeja desligar orelhões até dezembro de 2028

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Cerca de 30 mil telefones públicos ainda resistem, mas mudança nas regras da telefonia acelera extinção dos aparelhos

Símbolo da comunicação urbana por mais de cinco décadas, os orelhões devem desaparecer definitivamente do Brasil até o fim de 2028. O desligamento dos telefones de uso público ocorre após mudanças estruturais no modelo de concessão da telefonia fixa e reflete o avanço da tecnologia móvel no país.

Atualmente, o Brasil ainda conta com aproximadamente 30 mil orelhões em operação, número que contrasta com o auge do serviço, quando mais de 1,5 milhão de aparelhos estavam espalhados por ruas, praças e rodoviárias. Os equipamentos começaram a ser instalados em 1972 e ganharam reconhecimento internacional pelo design criado pela arquiteta Chu Ming Silveira.

O processo de extinção foi impulsionado pelo término dos contratos de concessão, em dezembro de 2025, e pela migração do serviço de telefonia fixa comutada para o regime privado de autorizações. Segundo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), a mudança permite readequar obrigações das operadoras e direcionar investimentos para áreas consideradas prioritárias, como a ampliação da banda larga.

Apesar do desligamento em massa, cerca de 9 mil telefones públicos continuarão ativos de forma temporária, principalmente em regiões onde não há cobertura adequada de telefonia móvel 4G. A maior concentração desses equipamentos está no estado de São Paulo, e a localização pode ser consultada no portal oficial da Anatel.

A Oi segue como a operadora com o maior número de orelhões em funcionamento, somando 6.707 unidades, enquanto empresas como Vivo, Claro e Algar devem encerrar suas redes ainda este ano. Outros cerca de 500 aparelhos, administrados pela Sercomtel, permanecem no norte do Paraná, dependendo de ajustes contratuais para retirada.

Além do fim dos orelhões, as operadoras firmaram compromissos para investir em fibra óptica, expansão da cobertura móvel, conectividade em escolas públicas, instalação de antenas e construção de data centers, marcando uma nova etapa para as telecomunicações no Brasil.


Por: Lucas Reis
Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

 

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