Ferramenta passa a seguir o rastro do dinheiro e facilita a recuperação de valores por vítimas de fraudes
Quem utiliza o Pix terá uma camada extra de proteção a partir de fevereiro. Bancos e instituições financeiras serão obrigados a adotar a nova versão do Mecanismo Especial de Devolução (MED), que amplia as chances de recuperar valores perdidos em golpes ao identificar os “possíveis caminhos dos recursos” após uma transferência fraudulenta.
A novidade já vinha sendo testada desde novembro do ano passado, mas agora passa a valer para todo o sistema financeiro. A principal mudança está no alcance do rastreamento: antes limitado à conta que recebeu o Pix, o mecanismo agora acompanha o trajeto do dinheiro, mesmo que ele tenha sido transferido rapidamente para outras contas.
Lançado em 2021, o MED foi criado para responder à explosão de golpes com Pix. Com o tempo, o Banco Central percebeu que os criminosos agiam com rapidez, esvaziando as contas antes do bloqueio. A atualização surge justamente para enfrentar esse problema e tornar o processo mais eficiente.
Com o novo modelo, as informações sobre o percurso do dinheiro são compartilhadas entre os bancos envolvidos, o que pode permitir a devolução dos valores em até 11 dias após a contestação feita pela vítima.
Contestação mais simples pelo aplicativo
Outro avanço importante é o “botão de contestação”, disponível desde 1º de outubro. A funcionalidade permite que o usuário registre a reclamação diretamente no aplicativo do banco, em casos de fraude, golpe ou coerção, agilizando o bloqueio do dinheiro.
O Banco Central explica que o recurso foi criado para facilitar a vida do cliente, sem necessidade de ligação ou atendimento presencial. O “botão de contestação” não pode ser usado em situações de erro no envio do Pix ou arrependimento, sendo exclusivo para ocorrências criminosas.
Passo a passo para pedir o dinheiro de volta
O prazo para solicitar a devolução é de até 80 dias após a transferência. O banco avalia a denúncia e, se confirmar o golpe, bloqueia os valores da conta do fraudador. A análise pode levar até sete dias, e o reembolso acontece em até 96 horas, total ou parcialmente. Caso o valor não esteja disponível, novos bloqueios podem ser feitos por até 90 dias.
Por: Genivaldo Coimbra
Foto: Marcello Casal jr/Agência Brasil