Medidas passam a valer na folha de janeiro e devem impulsionar consumo e atividade econômica ao longo de 2026
O início de fevereiro traz um alívio significativo para milhões de trabalhadores brasileiros. O reajuste do salário mínimo e a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda, que passa a contemplar quem recebe até R$ 5 mil mensais, entram em vigor com o pagamento da folha de janeiro e devem fortalecer o poder de compra das famílias.
De acordo com estimativas do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), o conjunto dessas medidas pode injetar cerca de R$ 110 bilhões na economia brasileira ao longo de 2026, estimulando o consumo e contribuindo para o crescimento econômico.
O salário mínimo teve um aumento de 6,7%, passando de R$ 1.518 para R$ 1.621. O reajuste considera a variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulado até novembro de 2025, somado ao crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), limitado a 2,5%. Com a inflação medida pelo IPCA em 4,26%, o ganho real do piso nacional foi de aproximadamente 2,5%.
Segundo o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, a elevação da renda disponível das famílias tende a gerar efeitos positivos em cadeia. Para ele, quando o trabalhador percebe mais dinheiro no contracheque ao final do mês, o impacto se assemelha a um aumento real de salário, refletindo diretamente no consumo.
Inicialmente, a previsão para o salário mínimo em 2026 era de R$ 1.631, mas o valor foi ajustado após a divulgação de um INPC inferior ao esperado. O piso nacional serve como referência para benefícios obrigatórios, como aposentadorias do INSS e o Benefício de Prestação Continuada (BPC), o que amplia o impacto fiscal de qualquer reajuste.
Além do novo salário mínimo, a ampliação da isenção do Imposto de Renda representa outra mudança relevante. A medida, aprovada após negociações no Congresso Nacional, cumpre uma das promessas de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Com isso, cerca de 15 milhões de brasileiros deixam de pagar o tributo.
A nova política também estabelece uma redução gradual da alíquota para quem recebe até R$ 7.350 por mês. Acima desse valor, a tabela do Imposto de Renda permanece inalterada. O impacto estimado da desoneração é de R$ 25,6 bilhões nas contas públicas.
Para compensar a perda de arrecadação, foi mantida a criação de uma alíquota progressiva de 10% sobre rendimentos mensais superiores a R$ 50 mil. A mudança pode representar um ganho mensal de até R$ 312,89 para os contribuintes isentos, totalizando R$ 4.067,57 ao ano.
Pôr: Genivaldo Coimbra
Foto: Marcello Casal Jr | Agência Brasil