Falhas no atendimento e demora no socorro pesaram na sentença após cirurgia que vitimou bilionário
A morte do bilionário Ehud Arye Laniado, ocorrida durante um procedimento estético em Paris, levou à condenação de um cirurgião plástico conhecido por atender a elite financeira e artística. Após anos de investigação, a Justiça francesa decidiu pela pena de 1 ano e 3 meses de prisão ao médico Guy H., além de bani-lo definitivamente do exercício da medicina.
Ehud, um influente negociante de diamantes de origem belga-israelense, morreu aos 65 anos enquanto realizava uma cirurgia de aumento peniano em março de 2019. O procedimento ocorreu na clínica Saint-Honoré-Ponthieu, em circunstâncias consideradas irregulares, como a realização fora do horário habitual de funcionamento.
Segundo as apurações, o empresário mantinha uma relação recorrente com o cirurgião, submetendo-se a tratamentos caros e frequentes. No entanto, durante a intervenção, sofreu uma parada cardíaca fatal.
Com o avanço das investigações, o caso deixou de ser tratado apenas como homicídio culposo e passou a levantar suspeitas mais graves, como omissão de socorro e práticas médicas fora da legalidade. O profissional que auxiliava Guy H. também foi condenado, embora com pena suspensa, e igualmente impedido de atuar na medicina.
Uma fonte próxima ao inquérito destacou à imprensa francesa um ponto decisivo da acusação:
“Quando os investigadores analisaram a causa da morte, a injeção no pênis foi rapidamente descartada. A questão que permaneceu foi por que o cirurgião fez um primeiro pedido de ajuda às 20h, antes de um segundo telefonema, desta vez para o corpo de bombeiros, duas horas depois”.
A defesa argumentou que o primeiro contato ocorreu devido ao “comportamento irritado” do paciente e às queixas de dores abdominais, minimizando os sinais de gravidade.
“É fácil dizer em retrospectiva que o ataque cardíaco começou ali, mas, como o paciente tinha uma úlcera, era impossível considerar um problema cardíaco, e os serviços de emergência não teriam sido acionados para um problema tão pequeno”, disse a fonte.
Para profissionais da área, o episódio revela práticas perigosas nos bastidores da cirurgia estética de alto padrão. Um médico parisiense afirmou, sob anonimato:
“Esse caso não surpreende ninguém. Nesses altos escalões da cirurgia plástica, eles frequentemente flexibilizam as regras”.
Em tom de defesa, o advogado do cirurgião tentou comparar a fatalidade a situações cotidianas:
“Esse incidente cardíaco poderia ter acontecido em qualquer lugar, até mesmo numa pizzaria. O pizzaiolo teria sido processado nesse caso?”
Por: Lucas Reis