Pedro Turra Basso, de 19 anos, é investigado por agressão que resultou em morte; STJ negou habeas corpus
O adolescente de 16 anos agredido durante uma briga em Vicente Pires, no Distrito Federal, morreu na manhã deste sábado, após passar 16 dias internado em estado gravíssimo. O jovem foi vítima de agressões atribuídas ao piloto Pedro Arthur Turra Basso, de 19 anos, que permanece preso preventivamente no Centro de Detenção Provisória (CDP), no Complexo Penitenciário da Papuda.
A confirmação da morte foi feita pelo advogado da família, Albert Halex. O adolescente estava internado em um hospital particular de Águas Claras desde o dia do ocorrido, após sofrer um traumatismo craniano severo ao bater a cabeça contra um carro durante as agressões.
Pedro Arthur Turra está preso desde o dia 2 de fevereiro. Na sexta-feira (6), o Superior Tribunal de Justiça (STJ) rejeitou o pedido de habeas corpus apresentado pela defesa, mantendo a prisão preventiva do investigado.
Investigação aponta possível emboscada
A apuração conduzida pela Polícia Civil descartou a versão inicial de que a briga teria começado por um motivo banal. Segundo os investigadores, as evidências reunidas indicam que o episódio pode ter sido um “acerto de contas” motivado por ciúmes envolvendo a ex-namorada de um amigo do suspeito.
O delegado Pablo Aguiar, responsável pelo inquérito, afirmou que o caso segue sob segredo de Justiça. De acordo com a investigação, áudios, mensagens e depoimentos indicam que a vítima teria sido chamada para fora do local pouco antes das agressões. Um dos materiais apreendidos, segundo a defesa da família, sugere a intenção de cumprir um combinado, reforçando a tese de premeditação.
A defesa de Pedro Turra ainda não se manifestou oficialmente sobre essas alegações.
Declarações da defesa geram repercussão
O advogado de Pedro Turra, Eder Fior, pediu desculpas após afirmar que o cliente estaria preso “por ser branco e de classe média”. Em entrevistas, ele defendeu que medidas cautelares alternativas seriam suficientes e criticou a prisão preventiva.
— Então, Pedro está preso por ser um jovem, branco, posicionado na sociedade como de classe média, piloto de carro esportivo. Entendemos que a prisão é a medida mais extrema e que só deve ser adotada em casos extremos — afirmou. — Nós estamos falando de uma pessoa com 19 anos de idade, que poderia estar com tornozeleira eletrônica, que poderia estar com prisão domiciliar, que poderia ter uma série de medidas cautelares ali estabelecidas (…) de uma série de situações que não fossem essa medida extrema. O que acontece com essa prisão é uma resposta social.
Após a repercussão negativa, o advogado publicou um pedido de desculpas nas redes sociais, afirmando que lamenta “sinceramente” que sua fala tenha sido “descontextualizada”.
“Respeitosamente, peço desculpas se a forma como me expressei deixou margem para outras interpretações, inclusive a que está sendo feita agora. O que eu pretendia dizer é que o enorme inflamar da opinião pública neste caso se deu, em grande medida, em razão da classe social envolvida — algo que, infelizmente, não costuma acontecer com inúmeros casos igualmente graves que ocorrem todos os dias com pessoas pobres da periferia, sem a mesma repercussão ou indignação coletiva”, disse ele.
Delegado reage e investigação se amplia
Eder Fior também criticou o delegado Pablo Aguiar por chorar durante entrevista coletiva e afirmou que não viu o mesmo comportamento “com outros crimes”. Em publicação, escreveu:
“A autoridade policial deve atuar com imparcialidade, estrita legalidade e respeito aos direitos fundamentais do investigado. Exorbitar sua função, agir com abuso, coação ou prejulgamento compromete a lisura do inquérito. O delegado não é acusador, é garantidor da legalidade da fase investigatória. É isso!!!”
Em outro post, afirmou que o delegado, “calado, é um poeta”, criticando o que chamou de espetacularização do caso. Durante coletiva, Aguiar declarou que Pedro Arthur é um “sociopata sem condições de conviver em sociedade”.
Segundo o delegado, a prisão preventiva se justifica pela gravidade do crime e por um padrão de comportamento já identificado.
— Frequentemente, ele se associa a amigos, possivelmente, para obter apoio durante os confrontos — afirmou o delegado.
Outros episódios sob apuração
Com a repercussão do caso, a Polícia Civil passou a investigar outros registros envolvendo Pedro Arthur Turra. Ele é alvo de quatro denúncias: três por agressões anteriores e uma por tentativa de oferecer bebida alcoólica a uma adolescente. Duas dessas ocorrências foram registradas somente após a divulgação do caso.
A defesa classificou o episódio como um “desentendimento banal” e afirmou que não houve intenção de causar o desfecho fatal. A família do piloto declarou solidariedade à vítima e informou que ele demonstrou arrependimento durante depoimento.
A organização da Fórmula Delta anunciou o desligamento de Pedro Arthur da temporada 2026 e reforçou que repudia qualquer forma de violência.
O investigado responde por lesão corporal grave e tentativa de homicídio. A prisão preventiva segue sem prazo definido.
Por: Genivaldo Coimbra