Aliados avaliam que filiação ao PL não desmonta estrutura governista nem garante transferência de votos a Wilder Morais
Passado o impacto inicial, aliados do governador Ronaldo Caiado (União Brasil) e do vice Daniel Vilela (MDB) tratam a filiação de Ana Paula Rezende ao Partido Liberal (PL) como um movimento de repercussão mais midiática do que eleitoral. Nos bastidores, a leitura consolidada é de que a decisão deu visibilidade à pré-candidatura do senador Wilder Morais, mas não altera o tabuleiro para 2026.
Integrantes da base avaliam que o chamado “irismo” já não opera como força orgânica estruturada, nem em Goiânia nem no interior. Segundo articuladores governistas, a rede política construída ao longo de décadas por Iris Rezende foi, ao longo dos anos, absorvida por diferentes grupos, especialmente pelo que hoje comanda o Estado. “A marca permanece forte, mas a estrutura já não existe como antes”, resume um aliado.
Outro ponto considerado relevante é o fato de Ana Paula nunca ter disputado uma eleição. Sem mandato e sem base eleitoral formada pelo voto, governistas sustentam que não há transferência automática de capital político. O sobrenome é reconhecido como símbolo de peso histórico, mas visto como ativo simbólico, não como estrutura capaz de impulsionar votos de maneira concreta.
Chamou atenção, ainda, o isolamento do gesto. Nenhum prefeito, deputado ou liderança de densidade política acompanhou a mudança partidária. Nomes tradicionais do MDB permaneceram onde estão, e algumas figuras históricas demonstraram desconforto com o movimento.
A avaliação interna é de que o governo mantém sua base coesa e que o cenário para 2026 segue inalterado, ao menos por ora. Para governistas, a disputa continuará sendo definida por articulação política, capilaridade e estrutura — mais do que por gestos simbólicos.
Por: Juliana Braz