Medida vale por 150 dias e atinge importações para os EUA, com lista ampla de exceções que inclui itens importantes para o Brasil
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou uma tarifa global temporária de 10% sobre praticamente todas as importações feitas pelo país. A medida entrou em vigor nesta terça-feira (24/2) e terá validade de 150 dias.
Segundo o governo norte-americano, o objetivo é reduzir déficits comerciais e reorganizar a política tarifária após uma decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que derrubou parte das tarifas anteriores por falta de base legal. A nova cobrança foi fundamentada na chamada Seção 122 da legislação comercial do país.
Apesar da sobretaxa ampla, a Casa Branca optou por preservar uma lista extensa de produtos considerados estratégicos ou essenciais à economia americana — muitos deles relevantes para exportadores brasileiros.
Quais produtos ficaram de fora da tarifa
A exclusão abrange setores sensíveis, como energia, alimentos, tecnologia e aviação. Veja os principais grupos isentos:
Energia e combustíveis
Petróleo bruto (em diferentes classificações);
Óleos combustíveis;
Querosene de aviação.
Agroindústria
Carne bovina (fresca, refrigerada ou congelada);
Café em grão, torrado ou não;
Suco de laranja, inclusive concentrado;
Fertilizantes;
Cacau integral e derivados.
Aeronaves e peças
Aeronaves civis;
Motores de aeronaves;
Peças e componentes aeronáuticos.
Mineração e siderurgia
Alumina calcinada;
Ferro-ligas;
Minérios como cobre, níquel e zinco.
Tecnologia e indústria
Semicondutores;
Processadores e memórias;
Componentes eletrônicos selecionados.
Como funciona a nova sobretaxa
A tarifa de 10% funciona como um adicional temporário aos tributos de importação já existentes. Ou seja, produtos que não estão na lista de exceções passam a pagar esse percentual extra durante o período de vigência da medida.
Mercadorias que já contam com tratamento diferenciado por acordos comerciais — como as provenientes de México e Canadá — também ficaram fora da cobrança.
Ao preservar setores estratégicos, o governo tenta evitar impactos diretos no consumo interno e nas cadeias produtivas americanas. Ainda assim, especialistas avaliam que a decisão pode gerar reações de parceiros comerciais e provocar ajustes nos mercados globais nos próximos meses.
Por: Lucas Reis