Líder supremo do Irã estava no poder há mais de três décados 86 anosas e comandou regime marcado por repressão política e tensão com o Ocidente
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou neste sábado (28/2) a morte do líder supremo do Irã, Ali Khamenei, aos 86 anos. Segundo o anúncio, a morte ocorreu após ataques conduzidos por forças norte-americanas e israelenses contra alvos em Teerã.
Khamenei ocupava o posto mais alto da estrutura política e religiosa iraniana desde 1989, tornando-se uma das figuras mais influentes e longevas do cenário político do Oriente Médio contemporâneo.
Da formação religiosa à Revolução Iraniana
Nascido em 1939 na cidade de Mashhad, no leste do país, Ali Khamenei iniciou sua formação religiosa ainda jovem. Nos anos 1960, aproximou-se de movimentos contrários ao regime do xá Mohammad Reza Pahlavi.
Ele estudou teologia na cidade sagrada de Qom e foi profundamente influenciado pelo aiatolá Ruhollah Khomeini, principal liderança da oposição conservadora ao xá, então exilado.
Khamenei participou ativamente dos protestos que culminaram na Revolução Iraniana, em 1979, que derrubou a monarquia e instaurou a República Islâmica. Em 1980, já sob o novo regime, foi nomeado imã das tradicionais orações de sexta-feira em Teerã.
Presidência e ascensão ao posto máximo
Em 1981, Khamenei sofreu um atentado a bomba que deixou seu braço direito permanentemente paralisado. No mesmo ano, aos 42 anos, foi eleito presidente do Irã com ampla votação, tornando-se o primeiro clérigo a ocupar o cargo. Foi reeleito em 1985.
Com a morte de Khomeini, em 1989, Khamenei foi escolhido como novo líder supremo — posição que concentra o comando das Forças Armadas, do Judiciário e dos principais rumos estratégicos do país.
Governo marcado por repressão e confrontos
Ao longo de mais de 35 anos no poder, Ali Khamenei consolidou sua autoridade e reprimiu duramente opositores internos. Seu governo foi marcado por forte controle social, restrições a liberdades individuais e confrontos diplomáticos com o Ocidente, especialmente com os Estados Unidos.
Diversas ondas de protestos foram registradas nas últimas décadas, muitas delas reprimidas com violência. Organizações internacionais frequentemente acusaram o regime de perseguir dissidentes, jornalistas e intelectuais críticos.
Nos últimos meses, o país enfrentava novo ciclo de desgaste político e econômico, com manifestações que ampliaram a tensão interna.
A morte de Khamenei abre um novo capítulo na história da República Islâmica e pode redefinir os rumos políticos do Irã em um momento de instabilidade regional.
Por: Lucas Reis