Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Domingos sem mercado? Entenda a disputa que pode mudar a rotina em Goiás

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Trabalhadores e empresários discutem folga dominical e redução de jornada em meio a debate nacional

A rotina de compras dos goianos pode passar por mudanças significativas a partir de abril. Supermercados de Goiás correm o risco de fechar as portas aos domingos, dependendo do desfecho das negociações entre sindicatos que representam funcionários e empresários do setor.

A proposta, conduzida pelo Sindicato dos Empregados no Comércio Varejista de Gêneros Alimentícios do Estado de Goiás (Secom-GO), prevê não apenas a folga dominical obrigatória, mas também a redução da jornada semanal para 36 horas. As conversas com o Sindicato do Comércio Varejista de Gêneros Alimentícios no Estado (Sincovaga-GO) acontecem ao longo de março.

Hoje, milhares de trabalhadores atuam em escala 6×1, com apenas um dia de descanso por semana. Para o procurador jurídico do Secom-GO, José Nilton Carvalho, a mudança representa qualidade de vida e valorização profissional. “Para que do dia 25 ao dia 30 de março, as duas diretorias e os dois departamentos jurídicos (dos dois sindicatos) se sentem, reúnam-se e assinem uma convenção coletiva”, afirmou.

Além do impacto social, o sindicato aponta dificuldades para atrair jovens ao setor. Segundo José Nilton, a Geração Z demonstra pouco interesse pelo trabalho em supermercados, o que gera déficit de mão de obra. “Com a redução para 6 horas e com fechamento aos domingos, nós vamos atrair (essa geração)… nós queremos contratar não 7 mil, mas 12 mil no estado”, declarou.

Já os empresários demonstram preocupação com o consumidor. O superintendente do Sincovaga-GO, Alessandro Jean Pereira de Faria, destaca que o domingo é essencial para muitas famílias. “A gente se preocupa muito com o consumidor porque ele é o nosso alvo. A dona de casa trabalha de segunda a sábado. Domingo é quando ela faz a compra da semana, ela arruma a casa…”, argumentou.

Alessandro também questiona a relação entre horário de trabalho e falta de mão de obra. “Essa diferenciação de horário existe há muito tempo em todos os segmentos. Então, afirmar que na nossa categoria falte mão de obra (por causa disso) é a mesma coisa que falar que falta mão de obra para trabalhar nos shoppings”, afirmou.

O debate local reflete uma discussão maior em andamento no país sobre a escala 6×1. “O Congresso Nacional está apaixonado em querer aprovar a redução da jornada e o fim da escala 6×1. É fato público e notório. Todo mundo sabe”, disse José Nilton.

Se houver acordo até o fim do mês, os supermercados devem iniciar o fechamento dominical a partir de 10 de abril. Caso contrário, a mudança dependerá de negociações individuais, o que pode prolongar o impasse e adiar qualquer alteração na rotina do setor.


Por: Redação via g1

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