Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Etanol recua em Goiás, mas tensão no Oriente Médio pode pressionar combustíveis

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Queda do biocombustível anima motoristas no estado, porém risco de bloqueio no Estreito de Ormuz acende alerta para possível alta da gasolina, diesel e inflação

Motoristas em Goiás têm sentido um leve alívio no bolso nas últimas semanas. O preço do etanol apresentou recuo em diversos postos do estado, criando um cenário momentâneo mais favorável para quem depende do carro no dia a dia. Ainda assim, especialistas alertam que fatores internacionais podem rapidamente mudar esse panorama.

Em vários estabelecimentos, o litro do etanol hidratado passou a ser encontrado entre R$ 3,95 e R$ 4,89, com alguns postos da Região Metropolitana de Goiânia registrando valores próximos de R$ 3,99. A redução ocorre principalmente por causa de estoques elevados, queda no custo de aquisição do produto e maior concorrência entre postos.

Dados do setor indicam que Goiás foi o único estado do Centro-Oeste a registrar queda no preço do etanol em fevereiro, movimento que trouxe um breve respiro para os consumidores. Mesmo assim, o mercado avalia que essa tendência ainda depende de estratégias comerciais de cada distribuidora e da dinâmica local de vendas.

Apesar do cenário positivo nas bombas, o mercado acompanha com preocupação as tensões no Oriente Médio. A principal atenção está voltada para o Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial. Uma eventual interrupção no fluxo de navios pode provocar uma disparada no preço internacional do barril.

Caso isso aconteça, a gasolina e o diesel tendem a ser os primeiros combustíveis a sofrer reajustes no Brasil, já que parte do abastecimento ainda depende de importações. O efeito pode chegar também ao etanol, principalmente porque o biocombustível acompanha o comportamento da gasolina no mercado.

Outro fator de atenção é o impacto indireto no agronegócio. A alta do petróleo pode elevar o preço do diesel, dos fertilizantes e do transporte, encarecendo toda a cadeia de produção. Para produtores e especialistas, o momento exige cautela, já que crises geopolíticas costumam refletir rapidamente no custo da energia.

Por enquanto, o consumidor goiano segue aproveitando a redução no preço do etanol. Mas o mercado de combustíveis permanece atento aos movimentos internacionais que podem, em pouco tempo, mudar novamente o cenário nas bombas.


Por Lucas Reis

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