Sigla afirma que parlamentar trocou legenda sem autorização formal e solicita ao TRE a devolução da cadeira
O mandato da vereadora Aava Santiago passou a ser questionado na Justiça Eleitoral após o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) ingressar com uma ação pedindo a perda da cadeira ocupada pela parlamentar. A solicitação foi protocolada nesta terça-feira (3) junto ao Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO), após a vereadora oficializar sua filiação ao Partido Socialista Brasileiro (PSB).
Segundo o processo apresentado pelos diretórios estadual e metropolitano da legenda tucana, a mudança partidária teria ocorrido sem autorização formal da sigla, o que configuraria infidelidade partidária. A ação pede que o mandato parlamentar seja devolvido ao partido, sob o argumento de que a cadeira pertence à legenda e não ao candidato individualmente.
Argumentos apresentados pelo PSDB
Na peça protocolada à Justiça Eleitoral, os tucanos afirmam que tomaram conhecimento da troca de partido por meio da imprensa e que não houve diálogo institucional prévio sobre a saída da parlamentar.
Outro ponto levantado é que o estatuto interno da sigla não prevê a concessão de carta de anuência — documento que autoriza um filiado a mudar de legenda fora da chamada janela partidária sem perder o mandato.
O partido também sustenta que a eleição da vereadora ocorreu graças ao apoio da estrutura partidária, incluindo recursos financeiros e votos obtidos pela chapa proporcional.
“O mandato que hoje exerce não decorre de projeto político individual dissociado da legenda, mas da conjugação entre sua candidatura e a força partidária que a sustentou perante o eleitorado”, afirma o partido no processo.
Mudança para o PSB e evento de filiação
A mudança de Aava Santiago para o PSB foi anunciada em evento político que contou com a presença do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin. Na ocasião, a vereadora tratou a liberação do PSDB como algo encaminhado, mesmo sem ter apresentado a carta de anuência necessária para a troca de legenda fora do período permitido.
Nota da vereadora
A parlamentar informou que não havia sido oficialmente notificada sobre o processo até o momento em que tomou conhecimento do caso pela imprensa. Em nota divulgada por sua assessoria, ela afirmou que recebeu a notícia com surpresa.
Segundo a vereadora, desde outubro de 2025 vinha mantendo conversas diretas sobre o tema com o ex-governador de Goiás e então presidente licenciado do PSDB no estado, Marconi Perillo.
Ela relata que os diálogos ocorreram por chamadas de vídeo e também em reuniões presenciais para discutir os desdobramentos políticos de sua possível saída da legenda.
Articulação política nacional
De acordo com Aava Santiago, em reunião realizada no dia 9 de fevereiro de 2026 no escritório político de Marconi Perillo, ela foi informada de que o tema havia sido discutido diretamente com o vice-presidente Geraldo Alckmin.
A vereadora afirma que foi explicado a ela que a elaboração de uma carta de anuência poderia fazer parte de um acordo político mais amplo, envolvendo lideranças nacionais como Aécio Neves e representantes do PSB.
Ainda segundo o relato da parlamentar, essa articulação teria sido confirmada no dia seguinte pelo próprio Alckmin, o que reforçou sua interpretação de que havia um entendimento político encaminhado para permitir a mudança de legenda.
Desdobramentos
Com a ação protocolada, caberá agora ao Tribunal Regional Eleitoral analisar os argumentos apresentados pelo PSDB e a defesa da vereadora para decidir se houve ou não infidelidade partidária.
Enquanto o processo tramita, Aava Santiago afirma manter tranquilidade em relação ao caso e diz que seguirá focada no trabalho parlamentar em Goiânia.
Por: Redação