O Governo do Brasil anunciou que poderá aplicar multas de até R$ 500 milhões contra empresas que forem flagradas elevando os preços de combustíveis de forma considerada abusiva. A medida surge após denúncias de aumentos sem justificativa em diferentes regiões do país.
A ação faz parte de um conjunto de medidas para intensificar a fiscalização sobre o mercado de gasolina e diesel. A investigação busca identificar possíveis irregularidades envolvendo distribuidoras e postos que possam ter repassado reajustes indevidos ao consumidor.
Órgãos federais passam a investigar mercado
A apuração está sendo conduzida com participação da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública do Brasil. O órgão solicitou que o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) analise possíveis práticas anticoncorrenciais no setor.
Entre as suspeitas estão eventuais combinações de preços entre empresas ou ações coordenadas que possam prejudicar a livre concorrência. Caso irregularidades sejam confirmadas, as companhias envolvidas poderão ser multadas e sofrer outras sanções administrativas.
Aumentos levantam suspeitas
As suspeitas surgiram após entidades do setor apontarem que distribuidoras teriam repassado aumentos aos postos, que por sua vez elevaram os valores cobrados ao consumidor final.
O que chamou a atenção das autoridades é que, até o momento, não houve anúncio oficial de reajuste nas refinarias da Petrobras, o que levanta dúvidas sobre a origem de alguns aumentos registrados nos postos.
Representantes do setor, por outro lado, argumentam que a alta recente do petróleo no mercado internacional, impulsionada por tensões geopolíticas no Oriente Médio, pode ter influenciado os preços.
Mercado é livre, mas abusos podem ser punidos
No Brasil, os preços dos combustíveis são livres desde 2002, o que permite que distribuidoras e postos definam seus próprios valores de acordo com custos operacionais e condições de mercado.
No entanto, o Código de Defesa do Consumidor estabelece que aumentos considerados abusivos ou que representem vantagem excessiva sobre o consumidor podem ser punidos.
Além da investigação conduzida em nível nacional, órgãos estaduais de fiscalização também iniciaram operações para verificar irregularidades em postos de combustíveis, incluindo falta de transparência na divulgação de preços e cobranças acima da média regional.
Por: Genivaldo Coimbra