Perícia identifica bode e cabra; hipótese de uso em ritual é analisada, mas ainda sem confirmação
A Polícia Civil do Distrito Federal confirmou que os animais encontrados mutilados dentro de sacos de lixo no Gama, região administrativa do Distrito Federal, são um bode e uma cabra.
Os restos foram localizados na noite de domingo (29), na Quadra 4 do Setor Sul, sem cabeça e sem patas, o que inicialmente gerou suspeita de que se tratavam de cães. Após perícia, a identificação correta foi estabelecida.
Linhas de investigação
O caso é apurado pela Delegacia de Repressão aos Crimes contra os Animais, que trabalha com diferentes hipóteses, incluindo a possibilidade de uso dos animais em rituais.
Segundo o delegado responsável, a análise preliminar indica que a retirada das partes ocorreu após a morte.
“Os animais apresentavam ausência de cabeças e patas que foram removidas após a morte dos animais, circunstância que afasta, em princípio, a hipótese de mutilação em vida, mas não exclui a necessidade de apuração quanto à regularidade do abate e a destinação dos restos”, explicou o delegado-chefe da DRCA, Jônatas Silva.
Esclarecimentos de entidade
A Federação Uirapuru se manifestou sobre o caso e afastou qualquer relação com práticas religiosas.
“É importante que a gente registre que isso não faz parte dos preceitos das tradições afros. Nós temos ritos que ofertamos animais, frutos, folhas, mas todos esses elementos não fazem parte só ritualisticamente, eles fazem parte da dieta da casa, da dieta da comunidade. Nós trabalhamos para a segurança alimentar”, destacou Tata Ngunzetala, sacerdote de Candomblé Angola/Congo e conselheiro da entidade.
“Se é um bode, esse bode faz parte da alimentação, até o couro é utilizado nos instrumentos percussivos. É a mesma coisa com galinhas, com qualquer tipo de animal comestível, até porque a gente só faz isso com animais que nós vamos comer. Um dos preceitos é esse, se não são animais comestíveis, não tem motivo de sacralizá-los dentro das tradições afro-brasileiras, como candomblé, umbanda. Se tem alguma casa que faz fora desses conceitos, faz por conta própria, não por conceito, não por preceito, não por dogma, não por orientação das pessoas mais velhas”, explicou o conselheiro.
Apuração segue
A polícia continua as investigações para identificar os responsáveis e esclarecer as circunstâncias do caso.
Por: Genivaldo Coimbra