Líder da Otan sob crescente pressão enquanto EUA e Europa enfrentam tensões políticas

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Trump critica aliados e ameaça saída, enquanto europeus resistem a ampliar atuação contra o Irã; Rutte é criticado pelos 2 lados

A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou nesta 4ª feira (8.abr.2026) que a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) abandonou os interesses norte-americanos. A declaração se deu antes de uma reunião entre o presidente Donald Trump (Partido Republicano) e o secretário-geral da aliança militar, Mark Rutte, em Washington, na Casa Branca, que tenta evitar a saída norte-americana do grupo. O secretário também lida com instabilidades na relação entre os Estados Unidos e a Europa.

Rutte, responsável por tentar manter Trump próximo à Otan e evitar o enfraquecimento da aliança, chegou aos EUA nesta 4ª feira para uma visita de 3 dias.

Recentemente a secretária de imprensa afirmou que Trump discutiu internamente a possibilidade de retirar os EUA da organização. O republicano tem ameaçado abandonar a aliança nos últimos meses. A tensão se elevou depois que os países da Otan recusaram uma participação mais direta na guerra contra o Irã e um chamado do republicano para ajudar a reabrir o estreito de Ormuz.

“Eles foram testados e falharam”, afirmou Leavitt. Também disse ser “bastante triste que a Otan tenha virado as costas para o povo norte-americano ao longo das últimas 6 semanas”.

Trump anunciou planos para um cessar-fogo de duas semanas com o Irã, que em menos de 24 horas já se mostra frágil. O anúncio se deu horas depois de afirmar que uma civilização inteira vai morrer.

Questionamentos de países europeus

Rutte agora enfrenta questionamentos de países europeus sobre sua estratégia de aproximação com o presidente norte-americano. A aliança entrou em atrito com declarações públicas do secretário-geral, que apoiou a campanha militar dos Estados Unidos e de Israel. As informações são da Bloomberg.

O governo Trump interpreta o posicionamento europeu como ingratidão e argumenta que os EUA financiaram a defesa da Europa por anos. Rutte se vê pressionado entre um presidente que ameaça deixar a aliança e integrantes da Otan que se opuseram às suas próprias declarações públicas.

Rutte montou, no ano passado, uma ofensiva diplomática para preservar uma aliança já fragilizada. Trump, por sua vez, tem tensionado a organização com declarações e ações relacionadas ao conflito. O presidente norte-americano direcionou críticas a aliados europeus que contestaram suas decisões. Os chamou de “covardes”.

Apesar das tentativas, Rutte não conseguiu mobilizar o presidente norte-americano a ampliar o apoio à Ucrânia. Nem interromper a campanha militar contra o Irã.

Aliados europeus, portanto, questionam se a estratégia está funcionando. Segundo a Bloomberg, o secretário-geral enfrenta críticas por seu posicionamento considerado excessivamente deferente em relação a Trump. O presidente continua ameaçando deixar a aliança e mantém operações militares contra o Irã, apesar de objeções de membros da Otan.

No centro dessa crise está o princípio de defesa mútua da Otan, que estabelece que um ataque contra um integrante é considerado um ataque contra todos. O mecanismo foi invocado apenas uma vez, em 2001, depois dos ataques de 11 de setembro em Nova York e Washington.

Diante das divergências sobre o conflito com o Irã e das ameaças de saída dos EUA, aliados europeus questionam, na prática, até que ponto esse compromisso continua válido.

PRESSÃO PARA REABRIR O ESTREITO DE ORMUZ

Desde o início dos ataques conjuntos com Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro, Washington tem pressionado aliados e outros países a contribuir com a segurança da navegação no estreito de Ormuz, controlado pelo regime iraniano. A guerra já deixou milhares de mortes e provocou forte instabilidade nos mercados globais.

Apesar da pressão, líderes europeus sinalizam cautela. Alemanha, Reino Unido, França, Itália, Holanda, Japão e Canadá afirmaram, em nota conjunta divulgada na 5ª feira (19.mar), que pretendem cooperar para garantir a passagem segura na região, mas condicionam qualquer ação ao fim das hostilidades. Com exceção do Japão, todos os demais países que assinam a nota integram a Otan. O chanceler alemão, Friedrich Merz, disse que a medida depende da cessação dos combates.

Depois da cúpula da União Europeia em Bruxelas, na 5ª feira (19.mar), o presidente da França, Emmanuel Macron (Renascimento, centro), pediu a redução das tensões. Segundo ele, respeitar o direito internacional e buscar a desescalada é “o melhor que podemos fazer”. Macron acrescentou: “Não ouvi ninguém aqui expressar a vontade de entrar neste conflito –muito pelo contrário”.





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