14ª edição do Fórum de Lisboa, que será realizada em junho, conta com especialistas para debater geopolítica e tecnologia
A 14ª edição do Fórum de Lisboa contará com especialistas internacionais para discutir os impactos da transformação tecnológica e da reorganização geopolítica global. Entre os principais nomes anunciados estão o economista Joel Mokyr, 79 anos, vencedor do Nobel de Economia de 2025, e o jornalista Thomas Friedman, 72 anos, colunista do jornal The New York Times e vencedor de 3 prêmios Pulitzer.
O Gilmarpalooza, como ficou conhecido o evento anual em Portugal (uma brincadeira com o nome do festival de música Lollapalooza), está programado para os dias 1º, 2 e 3 de junho de 2026. A edição deste ano terá como tema “Nova ordem internacional, tecnologia e soberania: desafios democráticos, econômicos e sociais”.
Professor na Universidade Northwestern, em Illinois (EUA), Mokyr é uma referência no estudo das origens da Revolução Industrial e da relação entre conhecimento, tecnologia e crescimento económico.
Autor de livros sobre globalização e tecnologia, como “The World Is Flat”, Friedman já participou do Fórum de Lisboa em 2024. Na ocasião, o jornalista falou sobre a possibilidade de Donald Trump (Partido Republicano) vencer as eleições presidenciais norte-americanas.
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, e Angelika Nussberger, diretora do Instituto de Direito da Europa Oriental e Direito Comparado da Universidade de Colônia, na Alemanha, também estão confirmados.
Eis os outros participantes do 14º Fórum de Lisboa já anunciados:
- Indra Spiecker genannt Döhmann, professora da Universidade Goethe de Frankfurt;
- Markus Kotzur, professor da Universidade de Hamburgo;
- Joachim Englisch, da Universidade de Münster;
- Christiane Woopen, da Universidade de Bonn;
- Ralf Poscher, do Instituto Max Planck e da Universidade de Freiburg;
- Luís Greco, professor da Universidade Humboldt de Berlim;
- Dominique Rousseau, da Universidade Paris 1 Panthéon-Sorbonne;
- Xavier Philippe, da Universidade Paris 1 Panthéon-Sorbonne;
- Yves Gounin, conselheiro de Estado do Conseil d’État;
- Gaspard Estrada, conselheiro da Global South Unit da London School of Economics e pesquisador da Sciences Po;
- Francisco Balaguer Callejón, professor da Universidade de Granada;
- Raffaele De Giorgi, da Universidade do Salento;
- Antonio Carratta, da Universidade Roma Tre;
- Vinicius de Carvalho, professor do King’s College London;
- Leandro Eduardo Ferreyra, da Universidade de Buenos Aires;
- Hendrik Schoenfelder, CEO da Evonik para a América Central e do Sul;
- Saskia Berling, diretora do KfW Development Bank;
- Lúcia da Luz Ribeiro, presidente do Conselho Constitucional de Moçambique;
- Dieter Grimm, juiz do Tribunal Constitucional Federal Alemão;
- Christian Calliess, professor de direito na Universidade Livre de Berlim;
- Fernanda Tórtima, advogada;
- Herbet Santos, procurador-geral de Justiça do MP do Ceará;
- Juliana Bumachar, presidente da Comissão de Recuperação Judicial da OAB-RJ;
- Laura Porto, advogada especialista em Direito Digital, Proteção de Dados e Direito Notarial e Registral e membro do GT de Inteligência Artificial no Poder Judiciário do CNJ;
- Felipe Sarmento, vice-presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil;
- Antonio Anastasia, ministro do Tribunal de Contas da União;
- Tarsila Fernandes, assessora de ministro do STF, procuradora federal e professora do IDP (Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa);
- Gustavo Chalfun, presidente da OAB-MG;
- Marcus Vinicius Furtado Coelho, presidente da Comissão Nacional de Estudos Constitucionais da Ordem dos Advogados do Brasil;
- Paulo Gonet, procurador-geral da República;
- Humberto Dalla, desembargador do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro e Coordenador Acadêmico da FGV Justiça;
- Sebastião Reis Júnior, ministro do Superior Tribunal de Justiça do Brasil;
- Rose Morais, secretária-geral da Ordem dos Advogados do Brasil;
- Laura Schertel, diretora do IDP e do Centro de Direito, Internet e Sociedade do IDP;
- Sérgio Leonardo, procurador-geral do Conselho do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil;
- Beto Simonetti, presidente da Ordem dos Advogados do Brasil;
- Luis Felipe Salomão, ministro e vice-presidente do Superior Tribunal de Justiça e coordenador da FGV Justiça.
FESTAS E JANTARES PRIVADOS
As palestras do encontro serão na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Durante os dias que passam em Portugal, representantes de empresas privadas aproveitam para oferecer festas e jantares privados para os participantes –oportunidade que empresários têm para se aproximar de operadores do direito que atuam no Poder Judiciário. Esse tipo de contato é criticado por quem considera impróprios tais encontros.
Gilmar Mendes pensa de forma diferente. O decano do STF argumenta que reuniões como o Fórum de Lisboa permitem aos integrantes do Judiciário refletir sobre temas contemporâneos relevantes, trocar experiências entre si e assim estarem mais preparados para o exercício da magistratura.
No site do Gilmarpalooza 2026, a descrição do encontro é a seguinte: “Promovido pelo IDP, pelo Lisbon Public Law (LPL) e pela FGV Justiça, o evento consolida-se como um dos mais relevantes fóruns internacionais dedicados à análise dos grandes desafios institucionais contemporâneos. Nesta edição, o tema central ‘Nova ordem internacional, tecnologia e soberania: desafios democráticos, econômicos e sociais’ orientará debates de alto nível sobre as transformações do cenário global, o impacto das novas tecnologias e os novos contornos da democracia, da economia e da organização social dos Estados”.
O IDP é uma empresa privada de ensino superior fundada em 1998, em Brasília, por Gilmar Mendes –à época, tinha 2 outros sócios: Inocêncio Mártires Coelho (que foi procurador-geral da República de 1981 a 1985) e Paulo Gonet Branco, que é o atual procurador-geral da República. Tanto Inocêncio como Paulo Gonet deixaram a sociedade.
Em entrevista em maio de 2025, Mendes foi indagado se havia conflito de interesses entre sua atuação como magistrado e a atividade do IDP, que tem contratos com a Confederação Brasileira de Futebol para fornecer cursos. Disse não ver problemas em ser dono da instituição e julgar casos relacionados à CBF. “Eu sou sócio do IDP e, em dado momento histórico, o IDP aceitou uma proposta da CBF para realizar os cursos que a CBF Academy fazia. Foi somente um contrato de direito privado dirigido pela direção do IDP.”
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