Cerimônia em Qom marca homenagem ao aiatolá morto em ataque dos EUA e de Israel e reforça apoio a Mojtaba Khamenei
Segundo o embaixador do Irã no Brasil, Abdollah Nekounam Ghadirli, o gesto marca o fim formal do luto, mas não altera o significado simbólico do período. “Em homenagem ao líder mártir, as bandeiras das embaixadas do Irã ficaram a meio mastro por 40 dias. Hoje, foram novamente hasteadas. O povo iraniano jamais deixou sua bandeira baixar”, declarou em publicação no X.
O encerramento do luto foi marcado por cerimônias no Irã, incluindo um ato na noite da 4ª feira (8.abr), na cidade de Qom. O evento que marcou o 40º dia da morte de Khamenei reuniu autoridades locais, integrantes do Judiciário, forças de segurança e representantes do governo, segundo comunicado da agência estatal IRNA.
O convite para a cerimônia foi divulgado pelas autoridades provinciais, que convocaram a participação da população e de integrantes de diferentes setores do Estado. O memorial foi realizado no santuário de Hazrat Masoumeh, um dos principais centros religiosos do país. A mensagem incluiu uma reafirmação de lealdade ao novo líder supremo, o aiatolá Mojtaba Khamenei, filho do antecessor.
Durante o evento, participantes manifestaram apoio ao governo iraniano e à sua posição nas negociações de cessar-fogo, de acordo com a Al Jazeera. Também houve referências a figuras do aparato de segurança, como Majid Khademi, chefe de inteligência do IRGC, o Corpo de Guardas da Revolução Islâmica, que teve a morte confirmada na 2ª feira (6.abr).
Em discurso, o clérigo Hossein Aghamiri afirmou que a população manterá mobilização nas ruas. “Ou os Estados Unidos aceitam pacificamente nossas 10 pré-condições ou nós os forçaremos a aceitar”, declarou.
A morte de Ali Khamenei foi confirmada pela mídia estatal iraniana depois de um ataque aéreo contra sua residência e escritório, em Teerã, no 1º dia da ofensiva militar iniciada em 28 de fevereiro.
Desde então, o Irã passou por uma transição de liderança, com a escolha de Mojtaba Khamenei como novo líder supremo. O país segue em estado de tensão, com o novo bloqueio do tráfego no estreito de Ormuz, área estratégica para o transporte global de petróleo.
Na 3ª feira (7.abr), o presidente dos EUA, Donald Trump (Partido Republicano), havia anunciado uma trégua temporária condicionada à abertura completa, imediata e segura do estreito de Ormuz. No entanto, o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif (PML-N, direita), disse que infrações “foram relatadas em alguns pontos da zona de conflito” e que isso “mina o espírito do processo de paz”.
O governo do Irã decidiu suspender a travessia pelo estreito na 4ª feira (8.abr), menos de 24 horas depois da entrada em vigor do cessar-fogo.