Abel Ferreira está feliz com Jhon Arias (Credit: SPP Sport Press Photo. /Alamy Live News)
O Palmeiras reagiu com insatisfação à punição aplicada a Abel Ferreira pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva. O técnico recebeu seis jogos de suspensão após expulsões em partidas contra Fluminense e São Paulo, válidas pelo Campeonato Brasileiro.
Internamente, o clube avalia a decisão como desproporcional e já definiu que irá recorrer. A diretoria entende que a punição não condiz com os episódios registrados em campo e vê um tratamento mais rigoroso direcionado ao treinador.
Nos bastidores, dirigentes do Palmeiras afirmam que Abel vem sendo alvo de punições mais severas em comparação com outros profissionais do futebol brasileiro. A leitura interna é de que existe uma espécie de “perseguição”, especialmente em julgamentos recentes.
O incômodo cresce ao observar que críticas públicas de clubes e dirigentes à arbitragem não recebem o mesmo peso nas decisões do tribunal. Para o Palmeiras, há uma diferença clara na forma como os casos são tratados.
Além disso, o histórico disciplinar de Abel pesa nas decisões. O treinador já acumulou diversos julgamentos no Brasil, o que, segundo o próprio tribunal, influencia diretamente na definição das penas.
Expulsões e relatos em súmula embasaram punição
A primeira expulsão ocorreu contra o Fluminense, logo após o apito final. O árbitro Felipe Fernandes de Lima relatou comportamento considerado desrespeitoso por parte do treinador, o que resultou em dois jogos de suspensão.
Já no confronto diante do São Paulo, Abel foi expulso por Anderson Daronco. Na súmula, o juiz registrou ofensas verbais e atitude antidesportiva, incluindo um chute em uma bola posicionada no suporte da CBF durante a saída de campo.
Sendo assim, esses episódios foram determinantes para a soma das punições que resultaram nos seis jogos de suspensão aplicados pelo tribunal.
Palmeiras compara casos e reforça crítica
Para sustentar a contestação, o Palmeiras cita outros episódios recentes no futebol brasileiro. Um dos exemplos envolve o zagueiro Alexander Barboza, do Botafogo, que teria ofendido a arbitragem em campo.
Apesar dos relatos em súmula, o jogador não foi denunciado pelo STJD e cumpriu apenas suspensão automática. Esse tipo de situação, portanto, reforça a percepção do clube paulista de que há falta de uniformidade nas decisões.
Outro ponto levantado internamente envolve manifestações públicas de clubes, como o Flamengo, que já publicou informações sobre árbitros em redes sociais. Na visão do Palmeiras, esse tipo de atitude também pressiona a arbitragem, mas não recebe o mesmo tratamento disciplinar.
Recurso será próximo passo do clube
Diante do cenário, o Palmeiras prepara um recurso para tentar reduzir ou reverter a punição. A diretoria acredita que há margem para revisão, principalmente ao considerar o contexto das expulsões e a comparação com outros casos.
O episódio amplia o debate sobre critérios adotados pela Justiça Desportiva no Brasil. Isso porque enquanto o clube tenta reverter a decisão, o caso reforça o clima de tensão entre comissões técnicas, arbitragem e tribunais no futebol nacional.
A resposta do STJD ao recurso deve indicar se haverá mudança no entendimento ou manutenção da linha adotada até aqui, que tem gerado questionamentos dentro e fora de campo.