Nota do governo turco diz que premiê de Israel atua para minar as negociações de paz nos conflitos do Oriente Médio
O Ministério das Relações Exteriores da Turquia afirmou neste domingo (12.abr.2026) que o premiê de Israel, Benjamin Netanyahu (Likud-direta), atua para minar as negociações de paz nos conflitos do Oriente Médio. Em nota oficial, o governo de Recep Tayyip Erdoğan chama Netanyahu de “Hitler do nosso tempo”.
“O objetivo atual de Netanyahu é minar as negociações de paz em curso e continuar suas políticas expansionistas na região. Caso não consiga, ele corre o risco de ser julgado em seu próprio país e é provável que seja condenado à prisão”, declarou a nota.
Netanyahu e Erdoğan têm trocado ofensas públicas via X ao longo do fim de semana. No sábado (11.abr), Netanyahu criticou o governo turco ao afirmar que Erdoğan não tem interesse em combater o terrorismo na região. “Israel, sob a minha liderança, vai continuar a lutar contra o regime terrorista iraniano e os seus aliados, ao contrário de Erdoğan, que os ajuda e massacra os seus cidadãos curdos”, comentou Netanyahu.
O governo turco respondeu dizendo que as alegações de Israel eram “infundadas, baixas e falsas”. Segundo a nota, o premiê de Israel enfrenta “acusações de crimes de guerra e crimes contra a humanidade” no Tribunal Penal Internacional. “Sob a administração de Netanyahu, Israel enfrenta processos perante a Corte Internacional de Justiça sob acusações de genocídio”, afirmou a nota.
“A Turquia continuará ao lado de civis inocentes e intensificará seus esforços para garantir que Netanyahu seja responsabilizado pelos crimes que cometeu”, acrescentou.
A disputa entre Netanyahu e Erdoğan ganhou destaque depois que Israel afirmou que não iria incluir o Líbano em um acordo de cessar-fogo firmado entre os governos dos Estados Unidos e do Irã, na 3ª feira (7.abr).
Segundo o comunicado, a trégua proposta se limita ao eixo direto entre Israel, Estados Unidos e Irã. “O cessar-fogo de duas semanas não inclui o Líbano”, afirmou o gabinete de Netanyahu.
A posição contrariou a declaração anterior do primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, envolvido nas negociações de paz e que havia indicado que o acordo abrangeria “todas as áreas, incluindo o Líbano”.