Órgão aponta indícios de irregularidades na entrega de veículos e cobra defesa em até 20 dias; caso envolve contratos de 2021
A Polícia Rodoviária Federal notificou o ex-diretor-geral Silvinei Vasques, preso em 26 de dezembro de 2025 na Papuda, para que apresente defesa na investigação sobre possíveis irregularidades na compra de veículos blindados. A apuração, conduzida por meio de uma Tomada de Contas Especial, identificou possíveis falhas em contratos de 2021 e também indícios de responsabilidade de servidores por aceitar equipamentos fora das especificações técnicas.
O relatório preliminar da PRF indica que os veículos entregues pela empresa Combat Armor Defense do Brasil apresentaram diversas inconformidades em relação ao edital.
Entre os problemas identificados estão falhas estruturais, ausência de itens obrigatórios e inadequações técnicas que comprometeriam o funcionamento dos veículos.
Testes realizados com apoio do Exército apontaram, por exemplo:
- ausência de bloqueio de diferencial;
- problemas no sistema de freios;
- falhas na blindagem;
- incapacidade de transpor obstáculos simples.
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PREJUÍZO PODE PASSAR DE 14 MILHÕES
A apuração administrativa já resultou em uma multa de R$ 2,8 milhões à empresa contratada e na determinação de devolução de R$ 14,1 milhões aos cofres públicos, devido a prejuízos causados. Segundo a PRF, os valores estão ligados à entrega de equipamentos que não atendiam aos requisitos técnicos exigidos em contrato.
De acordo com o documento, Silvinei Vasques era o ordenador de despesas e responsável por homologar a licitação à época dos contratos. Por isso, foi formalmente notificado para apresentar defesa sobre sua atuação no processo. A resposta deverá ser enviada ao gabinete do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, responsável pela execução penal do ex-diretor.
PAPUDA E STF
A PRF solicitou ao Supremo o envio formal da notificação ao Complexo Penitenciário da Papuda, onde Vasques está preso, e a coleta de comprovante de recebimento. O prazo para manifestação é de 20 dias a partir da entrega do documento.
A investigação se refere a contratos firmados em 2021 para fornecimento de veículos blindados para operações da PRF. A apuração também aponta possível falha de fiscalização e recebimento dos equipamentos por parte de servidores públicos, o que pode ampliar a responsabilização no caso.