“A Diplomata” retrata o trabalho e a vida pessoal de Kate Wyler a partir de sua indicação para o cargo de embaixadora dos Estados Unidos em Londres. Mas muito pouco do que a série mostra corresponde à realidade de um diplomata de carreira.
Os roteiristas optaram por espetacularizar a profissão, e a vida diplomática de Wyler é apresentada num desfile de estereótipos exagerados. Não, embaixadores não dispõem de uma frota de carros com agentes de segurança, não viajam com familiares em jatinhos do governo ou contam com um estilista pessoal, como na série.
Tampouco os temas de que se ocupa um diplomata são tão glamurosos quantos os de que se ocupa Kate Wyler, que parece estar sempre decidindo a paz mundial. Na rotina de um embaixador de verdade, os assuntos são mais triviais, como a liberação de uma carga de frango que ficou retida na fronteira, ou o pedido de apoio a uma candidatura internacional. Também tem toda a papelada burocrática, que na vida da embaixadora Wyler parece não existir. Sorte dela.
Porém, há aspectos na série que se aproximam da realidade. O prédio de fachada moderna em que Kate Wyler trabalha, por exemplo, é de fato a embaixada dos Estados Unidos no Reino Unido. A casa em que vive com o marido é gravada em locação, mas representa bem Winfield House, residência oficial do embaixador americano, localizada em Regent’s Park, num terreno de 48 mil m² e que conta com o maior jardim privado de Londres, depois de Buckingham Palace.
Diplomatas trabalham em palácios e às vezes habitam residências oficiais grandiosas, que simbolizam a presença do país que representam. Mas são apenas servidores do governo. Na primeira temporada, o marido de Wyler explica a uma assessora que eles são funcionários públicos e não têm coleção de arte própria para decorar a embaixada, numa cena que poderia ser real.
No entanto, o aspecto mais realista que a série exibe é o impacto que a vida profissional de um diplomata pode ter sobre sua vida familiar. Tanto Kate quanto Stuart Hayford, que trabalha com ela, enfrentam esse tipo de questão. O casamento de Kate sofre com as dificuldades do marido em ajustar-se a seu novo papel em Londres. Hayford, por sua vez, tenta compatibilizar sua carreira com a transferência da namorada, também funcionária diplomática.
Como compatibilizar o serviço no exterior com a vida profissional de um cônjuge? Como lidar com os efeitos de transferências sucessivas sobre a educação dos filhos? Esse tipo de dificuldade é comum a todos os diplomatas. Não é glamuroso, mas é real.
Tal como é, “A Diplomata” apresenta uma grandiosa caricatura, em que as aventuras diplomáticas de Kate Wyler só parecem plausíveis para quem não tem qualquer conhecimento efetivo da profissão.