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O uso da IA (inteligência artificial) generativa nos games é tema recorrente de debate, tanto entre desenvolvedores quanto jogadores. Em meio a essa acalorada discussão, o estúdio brasileiro Arvore se propôs a testar a inovação e vem conseguindo quebrar preconceitos sobre o papel que essa tecnologia pode exercer no futuro do entretenimento digital.
No jogo de realidade virtual “Fabula Rasa”, o jogador assume o papel de um prisioneiro em uma cidade de fantasia medieval prestes a ser executado. Seu objetivo é, usando apenas as palavras, salvar-se da prisão. Para isso, será preciso conquistar a simpatia do povo da cidade e, por fim, convencer o próprio rei a poupar sua vida.
É uma história simples, que se desenrola em cerca de 30 minutos, mas com complexidade o suficiente para mostrar como a IA, quando bem treinada e utilizada de forma inteligente, é capaz de criar momentos únicos em um jogo de videogame, apesar das limitações tecnológicas ainda existentes.
A primeira grande sacada dos diretores Luiza Justus e Marcelo Marcati é reconhecer essas limitações e contorná-las de forma criativa no game.
Por exemplo, algumas vezes a IA não entende exatamente o que o jogador fala. Poderia ser uma experiência frustrante, mas o tom do jogo é de um humor nonsense ao estilo “Monty Python”, em que declarações e situações absurdas são tratadas com naturalidade.
Com isso, a IA, mesmo reconhecendo que a frase do jogador é estranha ou desconexa, entra na brincadeira e segue em frente, com resultados engraçadíssimos.
Além disso, o jogo não cai na armadilha de utilizar a IA em tudo, deixando espaço para que a criatividade e a expressão dos desenvolvedores humanos sejam notadas.
Os personagens com quem o jogador interage, por exemplo, são cuidadosamente construídos por humanos —não só em relação ao seu visual, mas também quanto à sua personalidade, características e interrelações.
“É quase como dirigir atores. Em vez de escrever um diálogo, você está dirigindo um ator virtual”, afirma Ricardo Laganaro, diretor criativo e sócio do estúdio Arvore.
Ele afirma que, ao contrário do que possa parecer à primeira vista, programar a IA para que ela se comporte da maneira desejada pelos criadores do jogo é até mais trabalhoso do que escrever uma árvore de diálogos do zero.
“Precisa observar muito as pessoas interagindo com o jogo, ver o que funciona, o que não funciona e ficar ajustando. É um processo de iteração incremental. Não é como um roteiro que você escreve, passa para os atores e eles vão ler e fazer aquilo funcionar”, explica.
O resultado é uma história viva, construída com participação direta do jogador, em uma mistura de RPG com show de improvisação.
Ainda que a tecnologia enfrente resistências entre jogadores e desenvolvedores, “Fabula Rasa” vem se mostrando capaz de quebrar preconceitos. Tanto que o game recebeu o prêmio do público como melhor experiência em realidade virtual da SXSW, conceituada feira de tecnologia realizada no mês passado, em Austin (Texas).
“Acho que o jogo abriu a cabeça de muita gente que era radicalmente contra e não via como a IA ser usada de uma forma legal na indústria de entretenimento”, afirma Laganaro.
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dica de game, novo ou antigo, para você testar
Darwin’s Paradox!
(PC, PlayStation 5, Xbox Series X/S, Switch)
Nesse curioso título de plataforma 2D, o jogador controla um inteligente polvo em meio a uma grande conspiração alienígena. Com jogabilidade baseada principalmente na furtividade, é necessário se esconder de todo tipo de criatura, de simples gaivotas a robôs ameaçadores, utilizando apenas a esperteza, o senso de oportunidade e, claro, um pouco de tinta preta. Lembra bastante “Limbo”, do estúdio indie Playdead, só que bem mais colorido e cheio de humor, sem a mesma carga dramática e emocional.
O jornalista recebeu uma cópia do jogo com acesso antecipado para teste.
update
novidades, lançamentos, negócios e o que mais importa
- A Rockstar, desenvolvedora de “GTA”, confirmou que foi alvo de um ataque hacker. Segundo a empresa, “o incidente não impacta a organização ou nossos jogadores”. No último dia 11, o grupo hacker ShinyHunters afirmou que havia invadido os servidores da empresa e pediu um resgate para não tornar as informações roubadas públicas.
- A Take-Two Interactive, publicadora de “GTA”, teria demitido toda sua equipe de IA. A informação foi postada no LinkedIn pelo ex-chefe de IA da empresa, Luke Dicken. A empresa não comentou as demissões, que fariam parte de um processo de reestruturação.
- Os desenvolvedores do jogo de estratégia em tempo real “Stormgate” estão correndo para criar um modo offline após perderem acesso aos servidores do jogo. Segundo o site Delisted Games, o estúdio Frost Giant afirmou que a empresa que fornecia a estrutura para partidas multiplayer foi comprada por uma empresa de IA e não fará mais o serviço.
- A Sony anunciou a compra da Cinemersive Labs, empresa especializada em IA e visão computacional. Segundo a empresa japonesa, a aquisição visa reforçar tecnologias de captura e processamento de imagem para games e produção audiovisual.
- O longa de animação “Super Mario Galaxy: O Filme” teve a maior estreia do ano entre os filmes de Hollywood, arrecadando US$ 372,5 milhões (cerca de R$ 1,9 bilhão) em seu final de semana de estreia. Essa é a maior bilheteria de um filme desde “Avatar: Fogo e Cinzas”, de 2025.
- Zach Lipovsky e Adam B. Stein, responsáveis pelo filme “Premonição 6: Laços de Sangue”, vão dirigir uma adaptação do jogo “Metal Gear Solid” para os cinemas, afirmou a revista The Hollywood Reporter. A produção é de Avi Arad, que também está à frente do filme baseado em “The Legend of Zelda”, com seu filho Ari Arad.
- Foi lançado nesta segunda (13) o Indie Pass, um novo serviço de assinatura de games indies que promete acesso a catálogo rotativo de cerca de 70 jogos independentes por US$ 7 (R$ 35) ao mês. Em entrevista ao site GamesIndustry.biz, a diretora de crescimento da plataforma, Jess Mitchell, diz que a proposta é ampliar a visibilidade de títulos indies.
- A PlayStation revelou o Playerbase, iniciativa para integrar fãs aos jogos dos seus estúdios. Segundo o PlayStation Blog, os jogadores selecionados terão sua imagem digitalizada e aparecerão por um tempo limitado em um jogo. O primeiro game a participar da iniciativa será “Gran Turismo 7”.
- A BGS (Brasil Game Show) abriu a venda de ingressos para a edição de 2026 do evento. As entradas, com 45% de desconto no lote inicial, custam a partir de R$ 149. O evento acontece de 9 a 12 de outubro, no Distrito Anhembi, em São Paulo.
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games que serão lançados nos próximos dias e promoções que valem a pena
15.abr
“Industria 2” (PC)
“Mongoil: Star Drive” (Android, iOS, PC)
16.abr
“Cthulhu: The Cosmic Abyss” (PC, PS 5, Xbox X/S)
“Death by Scrolling” (PS 5, Xbox X/S, Switch)
“Ereban: Shadow Legacy” (PS 5, Xbox Series X/S)
“Gecko Gods” (PC, PS 5, Switch)
“Ground Zero” (PC, PS 5, Xbox X/S)
“Mouse: P.I. For Hire” (PC, PS 4/5, Xbox One/X/S, Switch 1/2)
“Opus: Prism Peak” (PC, Switch 1/2)
“Sintopia” (PC)
“The Day I Became a Bird” (PC, PS 5, Switch)
“Tomodachi Life: Living the Dream” (Switch)
17.abr
“Generation Exile” (PC)
“Pragmata” (PC, PS 5, Xbox X/S, Switch 2)
21.abr
“Albion Online” (Xbox X/S)
“Drop Duchy” (PS 5, Switch)
“Vampire Crawlers” (PC, PS 5, Xbox X/S, Switch)